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Asma ocupacional: o perigo que se espalha pelo ar

Tempo de leitura:11 minutos
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A asma ocupacional pode ser a razão pela qual você sente falta de ar, tosse ou chiado no peito durante a semana e percebe uma melhora justamente no fim de semana ou nas férias. 

 

Essa relação entre os sintomas e o ambiente de trabalho gera dúvidas, ansiedade e preocupação com o futuro profissional. 

 

E não é para menos, afinal, estima-se que 23,2% da população brasileira viva com asma, e uma parcela significativa desses casos tem origem no trabalho.

 

Respirar é essencial, e entender o que desencadeia seus sintomas é o primeiro passo para cuidar da sua saúde com segurança e tranquilidade.

O que é asma ocupacional?

A asma ocupacional é uma doença respiratória causada pela inalação de substâncias presentes no ambiente de trabalho, como poeiras, gases e produtos químicos.

 

E diferente da asma comum, que afeta cerca de 23,2% da população, segundo o Ministério da Saúde, a ocupacional tem um gatilho profissional muito claro.

 

Neste cenário, o indivíduo geralmente nunca teve asma antes e ela surge pela exposição constante a agentes no ambiente de trabalho.

Qual é a diferença entre a asma normal e ocupacional?

A principal diferença é a origem da crise, pois na asma comum, os gatilhos estão ligados ao ambiente geral, já na ocupacional, eles vêm diretamente do trabalho.

 

Ou seja, a asma comum costuma ser influenciada por fatores como poeira doméstica, poluição urbana e mudanças climáticas.

 

Enquanto a ocupacional está associada à exposição diária a agentes específicos, como solventes, tintas ou gases industriais. E nela, os sintomas tendem a piorar durante o expediente e melhorar nos dias de folga.

 

Para ajudar a visualizar, veja a tabela abaixo:

 

Aspecto Asma comum Asma ocupacional
Aspecto Alérgenos comuns (ácaros, pólen, pêlos), exercício físico e emoções. Agentes específicos no trabalho, como produtos químicos e poeiras.
Causa principal Os sintomas não têm relação direta com o ambiente profissional. Os sintomas pioram durante a jornada e melhoram fora do trabalho, como em fins de semana e férias.
Relação com o trabalho Uso de medicamentos de controle e evitar gatilhos domésticos. Medicamentos associados ao afastamento ou proteção contra o agente causador no trabalho.

 

Asma ocupacional: sintomas

Entre os principais sintomas da asma ocupacional, citamos:

  • falta de ar;
  • coriza;
  • respiração ruidosa;
  • tosse;
  • espirros;
  • sensação de pressão no peito;
  • olhos lacrimejando;
  • irritação no canal respiratório (garganta).

 

É interessante relembrar que os sintomas podem se desenvolver horas depois da exposição aos alérgenos ou demais substâncias, ou seja, quando a pessoa nem está mais no expediente de trabalho. 

 

Assim, para quem não tem conhecimento sobre a doença pode ser mais difícil fazer a associação direta com o ambiente de trabalho.

 

Além disso, não é incomum que os sintomas diminuam ou desapareçam nos finais de semana ou durante as férias. 

 

No entanto, conforme a exposição é mais intensa e frequente, os sintomas costumam se manter mais persistentes.

 

Imagem infografico-asma-ocupacional

Quais as causas da asma ocupacional?

As causas estão relacionadas à inalação de substâncias presentes no ar do trabalho, como:

 

  • poeiras: partículas finas que irritam os pulmões, comuns em obras, moinhos e indústrias;
  • solventes: produtos químicos usados em limpeza e fabricação, que liberam vapores tóxicos;
  • tintas: contêm compostos que provocam alergia ou inflamação respiratória;
  • pesticidas: químicos agrícolas que afetam diretamente as vias aéreas;
  • mofo: fungos que liberam esporos inaláveis, comuns em locais úmidos;
  • ácaros: presentes em ambientes fechados e pouco ventilados;
  • farinha: muito comum em padarias e fábricas de alimentos;
  • látex: usado em luvas e materiais hospitalares.
  • fumaça: resultado de processos industriais ou queima de materiais;
  • gases: liberados por máquinas, soldas e produtos químicos;
  • frio extremo: pode provocar broncoespasmo em ambientes refrigerados.

Quem tem asma ocupacional tem direito a algum benefício?

Saber quais são os direitos de quem sofre de asma ocupacional é parte do cuidado com a própria saúde. 

 

Além do tratamento médico, a legislação trabalhista prevê medidas para proteger o trabalhador. 

 

A seguir, veja os principais pontos que costumam ser avaliados nesses casos.

CAT (Comunicação de Acidente de Trabalho)

A CAT é o documento que registra oficialmente a relação entre a doença e o trabalho. 

 

Ela deve ser emitida pela empresa ou pelo próprio trabalhador, se necessário. Esse registro é importante para garantir direitos previdenciários. 

 

No mais, ajuda a comprovar que a asma tem vínculo ocupacional, logo, sem a CAT, o processo de reconhecimento fica mais difícil.

Afastamento pelo INSS

Quando os sintomas impedem o trabalho, é possível solicitar afastamento pelo INSS. 

 

Se a asma for reconhecida como ocupacional, o benefício é classificado como auxílio-doença acidentário. Isso garante mais proteção legal ao trabalhador. 

 

Neste cenário, durante o afastamento, ele deve seguir tratamento médico e o retorno depende da avaliação clínica.

Estabilidade provisória

Após o retorno do afastamento por doença ocupacional, o trabalhador pode ter estabilidade no emprego. 

 

Isso significa que não deve ser demitido sem justa causa por um período determinado. 

 

Essa regra existe para evitar prejuízos após o adoecimento. É uma forma de dar segurança durante a recuperação.

Mudança de função

Se o ambiente atual agrava a asma, deve ser indicada a mudança de função. 

 

O objetivo é afastar o trabalhador do agente causador da doença e essa realocação deve respeitar suas condições físicas. 

 

Muitas vezes, é essencial para manter o controle dos sintomas e, nesse sentido, a empresa tem responsabilidade nesse processo.

Como é realizado o diagnóstico da asma ocupacional?

Entender como comprovar asma ocupacional envolve relacionar os sintomas com o ambiente de trabalho. 

 

O diagnóstico se baseia além da falta de ar e considera a ligação entre a crise e a exposição profissional. 

 

Por isso, o histórico ocupacional é tão importante quanto os exames. Veja abaixo como isso ocorre.

Avaliação clínica, histórico ocupacional e relação com o trabalho

O médico investiga quando os sintomas começaram e em que situações pioram. 

 

Na consulta, pergunta sobre produtos usados, poeiras, gases e rotina diária. 

 

Um exemplo prático é notar se a falta de ar surge no expediente e melhora nos fins de semana. Esse padrão sugere origem ocupacional.

 

Essa entrevista clínica orienta os próximos exames.

Exames: espirometria, testes de broncoprovocação e testes alérgicos

A espirometria mede a função pulmonar e mostra se há obstrução dos brônquios. 

 

Já os testes alérgicos ajudam a identificar substâncias que provocam reação. 

 

Em casos específicos, é feito o teste de broncoprovocação para avaliar a sensibilidade das vias aéreas.

 

Esses exames confirmam o impacto da exposição e o conjunto dos resultados define o diagnóstico.

 

Em todo esse processo, o acompanhamento com pneumologista ou médico do trabalho é essencial, pois esses profissionais sabem interpretar a relação entre saúde e ambiente laboral. 

 

Imagem de capa: asma-ocupacional

Quais são os fatores de risco para a asma ocupacional?

O principal fator de risco que pode levar ao desenvolvimento da asma ocupacional é a falta de uso de equipamentos de proteção individual (EPI), como as máscaras de proteção respiratórias.

 

Sem esse tipo de equipamento adequado ocorre a inalação frequente de substâncias que estão no ar e podem ser nocivas, obstruindo as vias respiratórias.

 

Existem também fatores macroambientais que podem contribuir para o agravamento da doença, por exemplo, o impacto da industrialização e a consequente contaminação do ar.

 

Além disso, nos fatores de risco também devemos citar algumas das profissões que estão mais predispostas ao surgimento da asma ocupacional:

  • tratadores de animais;
  • biólogos;
  • profissionais de armazéns, galpões;
  • pessoas que interagem com produtos químicos sem o EPI correto;
  • médicos;
  • veterinários;
  • padeiros;
  • indústrias alimentares.

Asma ocupacional: tratamento

O tratamento deste tipo de asma tem duas frentes principais: controlar os sintomas com medicamentos e, tão importante quanto, eliminar ou reduzir o contato com o que causa a doença no trabalho.

 

Veja a seguir como é feito esse procedimento.

Medicamentos 

Os medicamentos ajudam a controlar a inflamação dos brônquios e a aliviar os sintomas. 

 

Os broncodilatadores (chamados de “bombinhas de alívio”) agem rapidamente para abrir as vias aéreas durante uma crise. 

 

Já os corticoides inalados (as “bombinhas de controle”) são usados diariamente para reduzir a inflamação e prevenir o aparecimento dos sintomas, logo, tratam a causa da doença a longo prazo.

Mudança no ambiente de trabalho

A medida mais eficaz é interromper a exposição ao agente causador. 

 

Isso pode significar o afastamento do agente, com a realocação do trabalhador para outra função em que não haja contato com a substância. 

 

Quando a realocação não é possível, o uso correto e rigoroso de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), como máscaras adequadas, é fundamental. 

 

Além disso, medidas de higiene e ventilação no ambiente também são essenciais para reduzir a contaminação.

A asma ocupacional tem cura?

A asma ocupacional não costuma ter cura definitiva, mas é controlada. 

 

Com diagnóstico precoce e afastamento do agente causador, os sintomas diminuem bastante. 

 

Quanto mais cedo o problema é identificado, melhor é o prognóstico. O acompanhamento médico regular faz toda a diferença.

Como prevenir a asma ocupacional?

Prevenir a asma ocupacional é uma responsabilidade compartilhada entre empresa e trabalhador. 

 

Com algumas medidas práticas, é possível reduzir drasticamente os riscos e respirar com mais segurança no ambiente profissional:

 

  • eliminar o problema na fonte: sempre que possível, a empresa deve substituir produtos químicos agressivos por alternativas menos nocivas ou instalar sistemas de exaustão e ventilação que removam as partículas do ar;
  • usar EPIs corretamente: quando a eliminação do agente não é viável, os equipamentos de proteção individual, como máscaras adequadas para cada tipo de risco, tornam-se sua principal barreira;
  • investir em informação e treinamento: participar de treinamentos e receber orientações claras sobre os riscos da sua função ajuda você a se proteger com mais consciência;
  • manter o diálogo aberto: se você notar algo diferente no ambiente, como vazamentos, falhas nos equipamentos ou situações inseguras, converse com colegas e superiores, afinal, a prevenção funciona melhor quando todos compartilham observações e se ajudam mutuamente.

Perguntas frequentes 

O que diferencia asma ocupacional da asma comum?

A asma ocupacional é causada especificamente por agentes presentes no ambiente de trabalho. A asma comum pode ser desencadeada por alérgenos domésticos, exercício, emoções, entre outros fatores.

Quem tem asma pode trabalhar normalmente?

Sim, na maioria dos casos. Se a asma for comum e estiver controlada com tratamento, a pessoa pode trabalhar. Se for ocupacional, é preciso adaptar o trabalho para evitar o agente causador, garantindo que a função não prejudique a saúde.

Asma ocupacional dá direito a afastamento?

Sim. Se a doença incapacitar o trabalhador para suas funções por mais de 15 dias, ele tem direito ao auxílio-doença acidentário pago pelo INSS, desde que a natureza ocupacional seja reconhecida por meio da CAT.

É possível se aposentar por asma ocupacional?

Em casos muito graves, onde a doença causa sequelas permanentes que impeçam completamente o trabalho em qualquer função, pode haver a concessão de aposentadoria por invalidez. Mas, antes disso, a prioridade é sempre o tratamento e a reabilitação para o retorno ao trabalho.

A empresa é obrigada a mudar o trabalhador de função?

Sim, sempre que possível e necessário. A empresa deve realocar o trabalhador em uma função que não o exponha ao agente causador da asma, como parte da obrigação de preservar sua saúde e garantir um ambiente de trabalho seguro.

Cuide da saúde física e mental dos colaboradores

É responsabilidade das empresas garantir um ambiente de trabalho saudável e seguro, caso contrário, só vai ver os seus prejuízos aumentarem. 

 

E não se esqueça de que quando estamos falando sobre saúde, estamos nos referindo tanto às questões de saúde física como mental.

 

A depressão, por exemplo, é considerada uma doença ocupacional e, hoje em dia, já é uma das maiores causas de afastamento do trabalho, causando enormes prejuízos para as organizações. 

 

Portanto, cuidar do bem-estar físico e emocional dos funcionários é o melhor caminho para garantir o crescimento da sua empresa.

 

Para entender mais sobre a saúde ocupacional e o cuidado com a saúde mental, assista nosso vídeo sobre o tema durante o Vittude Summit:

 

https://www.youtube.com/watch?v=qK56k5g3Y8g

 

E se quiser continuar lendo artigos como este, navegue pelo blog do Vittude Corporate.

A Vittude é referência no desenvolvimento e gestão estratégica de programas de saúde mental para empresas, sendo parceira dos maiores empregadores do Brasil. Com um ecossistema de soluções inteligentes em saúde mental, desenvolve projetos apoiados em 4 pilares: diagnóstico, educação, clínica e inteligência. Atende mais de 200 clientes, possuindo mais de 3,5 milhões de pessoas beneficiadas por suas soluções.
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