
A ansiedade na adolescência está aparecendo na sua casa de formas que você não sabe explicar? Irritação sem motivo, isolamento repentino, queda no rendimento escolar, medo constante de errar. Tudo isso parece “fase”, mas nem sempre é só isso.
E o problema é maior do que parece: o Brasil lidera o ranking mundial de pessoas ansiosas, com 18,6 milhões de brasileiros convivendo com o transtorno, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).
Quando esses números se aproximam da realidade dos jovens, a situação é ainda mais alarmante. Entre 2013 e 2023, as internações relacionadas a estresse e ansiedade em adolescentes e jovens de 13 a 29 anos cresceram 136%, segundo dados do Ministério da Saúde.
E você? Sabe como reconhecer os sinais, entender as causas e identificar quando a ansiedade toma conta do adolescente? Será que isso é normal ou precisa de intervenção? Continue lendo e descubra com a gente!
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O que é ansiedade na adolescência?
Ansiedade na adolescência é uma reação emocional marcada por medo, tensão e preocupação diante de situações novas, desafios e decisões que surgem nessa fase da vida.
Durante a puberdade, o adolescente vivencia mudanças físicas, emocionais e psicológicas ao mesmo tempo. A busca por identidade, os primeiros relacionamentos, a influência das amizades e o aumento de responsabilidades ocupam os pensamentos dos jovens.
Com a proximidade do vestibular, surgem novas dúvidas: qual profissão seguir? Que curso escolher? Que caminho traçar? O acúmulo de decisões sobre o futuro amplia a sensação de pressão e inquietação, tornando a ansiedade mais frequente.
O adolescente enfrenta um cenário de certa “vulnerabilidade biológica e psicológica”, enquanto as áreas cerebrais de resposta emocional estão hiperativas, as áreas de controle e planejamento ainda estão em maturação, o que torna o manejo do estresse e da ansiedade tecnicamente mais difícil para eles do que para adultos.
Ansiedade na adolescência é normal?
Sim. É normal ter ansiedade na adolescência. No entanto, quando a preocupação é constante, desproporcional ou difícil de controlar, ela deixa de ser apenas uma reação natural e pode se aproximar de um transtorno, como o transtorno de ansiedade generalizada.
Ansiedade na adolescência: principais causas
Diversos fatores podem contribuir para o surgimento da ansiedade na adolescência. As preocupações características dessa fase, como a aparência, decepção amorosa, popularidade, futuro profissional, autoestima, namoro e identidade, podem ser a causa da ansiedade constante, com o “auxílio” das redes sociais que facilita ainda mais essas comparações e intensifica as experiências.
A separação dos pais, mudança de amigos para outra cidade ou escola, falta de apoio da família, bullying, vivência em ambientes estressantes e incapacidade de lidar com a frustração também colaboram para o surgimento da ansiedade.
Além disso, filhos cujos pais têm ou já tiveram algum transtorno ansioso, têm mais probabilidade de desenvolver ansiedade ou depressão em algum momento da vida.
A negligência com os sintomas pode agravar o estado psicológico do adolescente e causar outras condições, como fobias e transtorno do pânico, bem como estimular pensamentos suicidas. Esses sinais de agravamento indicam uma sobrecarga severa na capacidade de regulação do jovem, exigindo intervenção profissional imediata.
Segundo a OMS, o suicídio é a terceira principal causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos.
Quais são os 12 sinais de ansiedade na adolescência?
A ansiedade na adolescência pode parecer com a dos adultos, mas costuma se manifestar de forma diferente. Isso acontece porque os adolescentes ainda estão desenvolvendo a forma de entender e lidar com emoções.
Os 12 sintomas típicos da ansiedade nessa faixa etária são:
- Preocupação excessiva, especialmente com coisas pequenas;
- Fadiga e sonolência diurna;
- Dificuldade para dormir;
- Dores musculares inexplicáveis;
- Perda de apetite ou apetite excessivo, causando considerável perda ou aumento de peso;
- Falta de ar;
- Irritabilidade e apreensão constante com o futuro;
- Dificuldade para se socializar;
- Autoestima baixa;
- Roer as unhas, arrancar os cabelos ou se automutilar;
- Desatenção e perda de memória;
- Tristeza e perda de interesse em atividades e hobbies que antes gostava.
Além disso, é comum os adolescentes se afastarem dos pais e amigos, se recusando a falar sobre as suas aflições.
Por isso, é preciso que os pais estejam sempre atentos ao comportamento dos filhos para poderem buscar tratamento psicológico no momento adequado, além de ajudá-los com uma “co-regulação” emocional em momentos desafiadores.
Ansiedade na adolescência x timidez: como diferenciar
A diferença entre timidez e ansiedade na adolescência está na intensidade e no impacto no cotidiano. A timidez gera desconforto leve. Já a ansiedade provoca medo e retraimento, além de prejudicar a vida escolar e pessoal.
A timidez costuma aparecer como um traço de personalidade. O adolescente fica mais reservado, sente vergonha ao conhecer pessoas novas ou falar em público, mas consegue enfrentar essas situações. Com o tempo e a convivência, o desconforto tende a diminuir.
Já a ansiedade se manifesta de forma mais profunda. O medo de julgamento é constante e difícil de controlar. Situações comuns, como apresentar trabalhos, comer perto de outras pessoas ou participar de atividades em grupo, passam a ser evitadas.
O corpo reage com sintomas físicos, como taquicardia, suor excessivo e náusea. O isolamento, então, se torna frequente.
O que fazer para ajudar o adolescente ansioso?
Os pais têm um papel importante em apoiar os filhos com ansiedade na busca por equilíbrio emocional. Para tal, precisam ter paciência e perseverança, uma vez que os filhos podem se demonstrar indispostos a cooperar nas primeiras tentativas.
Compreenda que para a vencer a ansiedade na adolescência é necessário dar um passo de cada vez, respeitando os limites da pessoa ansiosa e fazendo encorajamentos constantes.
1. Incentive a prática de exercícios físicos
Os exercícios físicos são ótimos para controlar a ansiedade, reduzir o estresse oriundo das preocupações e promover a diversão individual ou em grupo.
Se o adolescente não quiser participar de um esporte coletivo ou fazer academia, incentive-o a fazer caminhada ou se exercitar em casa. Participe dessas atividades para demonstrar apoio.
2. Apoie o adolescente a enfrentar um medo
Os medos das pessoas ansiosas costumam ser de situações corriqueiras, as quais praticamente todos os indivíduos devem vivenciar em algum momento.
Portanto, ofereça apoio para que ele supere esse medo ao seu lado. Pode ser algo simples, como primeiro flexibilizar o pensamento, “se imaginar fazendo algo” que teria medo. Como ir à padaria e fazer o pedido no balcão, por exemplo. Após isso, pequenos passos em direção à prática real ganham mais força. o fazer uma compra na padaria do bairro ou participar de um curso de fim de semana. As situações não são tão assustadoras quando vividas em conjunto.
3. Converse sobre sentimentos
Incentive o diálogo sincero sobre sentimentos. Não faça julgamentos ou pressione o adolescente a mudar da noite para o dia. Valide os sentimentos do jovem, ofereça a escuta silenciosa e pergunte antes de oferecer qualquer conselho.
Às vezes, o jovem só tem o desejo de desabafar, sem necessariamente buscar respostas para os seus dilemas.
4. Promova estratégias de regulação emocional
Pequenas mudanças na rotina e no comportamento contribuem para reduzir a intensidade das preocupações e aumentar a sensação de controle.
A organização da rotina é um bom ponto de partida. Horários definidos para estudar, descansar, se alimentar e dormir trazem previsibilidade e diminuem a sensação de caos. O ideal é construir essa rotina com o adolescente, respeitando seus limites e preferências.
As técnicas de respiração também são recursos simples e acessíveis. Exercícios de respiração lenta e profunda auxiliam no relaxamento. Com a prática, o adolescente aprende a usar essas técnicas sempre que sentir a ansiedade aumentar.
Quando procurar psicoterapia para ansiedade na adolescência
A psicoterapia deve ser considerada quando a ansiedade na adolescência deixa de ser pontual e passa a afetar o dia a dia.
Algumas situações reforçam o alerta: queda no rendimento escolar, recusa em participar de atividades, mudanças no sono e no humor, além de comportamentos de automutilação, exigem olhar imediato.
Quanto mais cedo o acompanhamento começa, maiores são as chances de reorganizar emoções, crenças e atitudes.
O psicólogo trabalha a escuta e a interpretação das vivências emocionais e cognitivas, guiando o processo terapêutico ao longo das sessões. Já o psiquiatra analisa o quadro clínico e, quando necessário, indica medicação para diminuir a intensidade dos sintomas.
Em alguns casos, a atuação conjunta desses profissionais contribui para um cuidado mais completo.
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Conclusão
A ansiedade na adolescência se infiltra na rotina por meio de mudanças de comportamento, dificuldades de concentração, alterações no sono e no apetite, isolamento e sintomas físicos que parecem não ter explicação.
Ao longo do texto, ficou claro que esses sinais não surgem do nada: eles estão ligados a pressões sociais, conflitos familiares, inseguranças, expectativas sobre o futuro e à própria intensidade das transformações desse período.
Pequenas atitudes no dia a dia, como fortalecer o diálogo, organizar a rotina e estimular estratégias de regulação emocional podem ser muito úteis para amenizar o sofrimento.
Ainda assim, quando a ansiedade começa a comprometer a vida escolar, social ou emocional do adolescente, o acompanhamento profissional torna-se fundamental.
Na Vittude, o cuidado psicológico é pensado para acompanhar todas essas complexidades. Nossa plataforma conecta famílias a psicólogos qualificados, com diferentes abordagens terapêuticas e formatos de atendimento.
Mais do que iniciar a terapia, a Vittude ajuda a construir um processo de cuidado contínuo, respeitando o ritmo do adolescente e o contexto familiar.


