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Absenteísmo: o que é e como reduzir nas empresas

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Absenteísmo, saídas antecipadas e atrasos fazem parte da rotina das organizações. Mas, quando essas ocorrências aumentam de forma recorrente ou se concentram em determinadas áreas, elas deixam de ser apenas eventos pontuais e passam a funcionar como um sinal importante sobre a saúde da empresa.

Por isso, mais do que um indicador de presença, o absenteísmo pode ajudar a revelar problemas de saúde, falhas na organização do trabalho, sobrecarga, conflitos, dificuldades na liderança e até fatores de riscos psicossociais que impactam diretamente o bem-estar e a produtividade das equipes.

Além disso, nos últimos anos, esse tema ganhou ainda mais relevância. Dados divulgados pelo G1, com base em informações do INSS, mostram que o Brasil registrou, em 2025, 546.254 afastamentos por transtornos mentais, o maior número dos últimos dez anos. O volume representa um crescimento de 15,6% em relação a 2024, quando foram contabilizados 472.328 casos.

Esses números mostram a face mais visível do problema. Antes disso, muitas pessoas já continuam trabalhando com perda de energia, foco e capacidade produtiva. É o que chamamos de presenteísmo. No Censo de Saúde Mental da Vittude, identificamos 32% de presenteísmo mapeado — um dado que reforça que o custo do adoecimento começa antes da ausência.

Neste artigo, você vai entender o que é absenteísmo, quais são suas principais causas, como calcular esse indicador, qual sua relação com a saúde mental e o que as empresas podem fazer para reduzi-lo de maneira estratégica.

O que é absenteísmo?

Absenteísmo é a ausência total ou parcial do trabalhador durante o período em que ele deveria estar exercendo suas atividades profissionais.

Na prática, isso pode incluir:

  • faltas ao trabalho;
  • atrasos recorrentes;
  • saídas antecipadas;
  • ausências por consultas ou procedimentos;
  • licenças médicas;
  • afastamentos de curta ou longa duração.

Além disso, em muitos contextos, também se usa a expressão absenteísmo ocupacional ou absenteísmo no trabalho. Independentemente do nome adotado, trata-se de um indicador importante para acompanhar a dinâmica da força de trabalho e compreender o que pode estar impactando a disponibilidade das pessoas para o trabalho.

É importante destacar que o absenteísmo não deve ser interpretado de forma simplista, como sinônimo de desinteresse ou baixa responsabilidade. Em muitos casos, ele é consequência de adoecimento, exaustão, problemas organizacionais ou condições de trabalho inadequadas.

Por que o absenteísmo merece atenção das empresas?

O absenteísmo afeta diretamente a operação, o clima e os resultados do negócio. Quando um colaborador se ausenta, a empresa pode enfrentar:

  • interrupção de processos;
  • redistribuição de tarefas;
  • sobrecarga da equipe;
  • atrasos em entregas;
  • aumento de erros e retrabalho;
  • necessidade de horas extras;
  • queda de produtividade;
  • aumento de custos assistenciais e previdenciários.

Além disso, o absenteísmo pode ser um dos primeiros sinais de que algo não está funcionando bem na organização. Se uma área apresenta crescimento nas faltas, mais atestados ou maior número de afastamentos, isso pode indicar que há fatores de risco presentes naquele contexto de trabalho.

Por isso, monitorar esse indicador não é apenas uma prática de controle. É uma ferramenta de gestão.

O que os dados do Brasil mostram sobre afastamentos por transtornos mentais?

Os dados mais recentes reforçam a urgência do tema.

Segundo informações divulgadas pelo G1, com base em dados do INSS, o Brasil registrou a seguinte evolução nos afastamentos por transtornos mentais nos últimos anos:

Gráfico indicando o crescimento do absenteísmo por transtornos mentais no Brasil na última década

O dado de 2025 representa o maior patamar da série e ajuda a dimensionar a escalada do adoecimento mental no país.

Embora nem todo transtorno mental esteja relacionado exclusivamente ao trabalho, esses números acendem um alerta importante para as empresas. Afinal, as condições de trabalho podem funcionar tanto como fator de proteção quanto como fator de risco para a saúde mental.

Sobrecarga, jornadas excessivas, falta de apoio, assédio, insegurança psicológica, conflitos e pouca autonomia são alguns dos elementos que podem contribuir para o sofrimento psíquico e, consequentemente, para o aumento das ausências e afastamentos.

Quais são os principais tipos de absenteísmo?

O absenteísmo pode ser analisado de diferentes formas, a depender da metodologia adotada pela empresa. Entre os tipos mais comuns, estão:

Absenteísmo por doença

Refere-se às ausências relacionadas a questões de saúde física ou mental, com ou sem afastamento mais prolongado.

Absenteísmo justificado

Ocorre quando a falta possui respaldo legal, médico ou administrativo, como atestados, licenças e ausências previstas em lei.

Absenteísmo injustificado

É a ausência sem justificativa formal. Quando recorrente, pode indicar problemas de engajamento, conflitos ou dificuldades pessoais.

Absenteísmo parcial

Inclui atrasos frequentes, saídas antecipadas e outras interrupções da jornada que não representam ausência total, mas afetam a rotina de trabalho.

Quais são as principais causas do absenteísmo?

O absenteísmo é um fenômeno multifatorial. Raramente existe uma única causa. Em geral, ele surge da combinação de fatores individuais, organizacionais e contextuais.

1. Problemas de saúde física

Doenças agudas, dores crônicas, acidentes, problemas musculoesqueléticos e outras condições clínicas podem comprometer a capacidade de trabalhar e gerar ausências frequentes.

2. Problemas de saúde mental

Ansiedade, depressão, burnout, estresse crônico e outros quadros emocionais também estão entre as causas mais relevantes de faltas, licenças e afastamentos.

Esse ponto se torna ainda mais importante diante da escalada dos afastamentos por transtornos mentais no Brasil.

3. Sobrecarga de trabalho

Demandas excessivas, equipes reduzidas, acúmulo de funções e pressão constante por resultados podem levar ao desgaste físico e emocional.

4. Liderança inadequada

Gestões autoritárias, comunicação agressiva, falta de apoio, microgerenciamento e ausência de escuta tendem a impactar negativamente a saúde das equipes.

5. Assédio e conflitos

Ambientes marcados por assédio moral, humilhações, relações deterioradas e conflitos recorrentes podem aumentar tanto o sofrimento quanto a probabilidade de afastamento.

6. Falta de autonomia e clareza

Ambiguidade de papéis, baixa autonomia e falta de direcionamento dificultam a execução do trabalho e elevam a tensão no dia a dia.

7. Dificuldades pessoais e familiares

Questões familiares, cuidado com dependentes, problemas de mobilidade e outras situações pessoais também podem influenciar o indicador.

Qual é a relação entre absenteísmo e saúde mental?

A relação entre absenteísmo e saúde mental é cada vez mais evidente.

Em muitos casos, o sofrimento psíquico se manifesta primeiro em sinais mais sutis: cansaço persistente, perda de foco, dificuldade para tomar decisões, irritabilidade, retraimento, queda de desempenho. Quando a situação se agrava, podem surgir faltas pontuais, atestados frequentes e, finalmente, afastamentos mais longos.

Ou seja: o absenteísmo muitas vezes é apenas a ponta visível de um processo de adoecimento que já vinha se desenvolvendo. É por isso que olhar apenas para o número de faltas não basta. A empresa precisa compreender o contexto por trás desse indicador.

Absenteísmo e presenteísmo são a mesma coisa?

Não. Apesar de relacionados, absenteísmo e presenteísmo são conceitos diferentes. No absenteísmo, a pessoa está ausente do trabalho, total ou parcialmente.

No presenteísmo, ela está presente fisicamente, mas com redução de sua capacidade funcional e produtiva em razão de um problema de saúde física ou mental.

Essa distinção é essencial porque o custo do adoecimento não começa apenas quando a pessoa falta.

No Censo de Saúde Mental da Vittude, identificamos 32% de presenteísmo mapeado. Isso significa que uma parcela expressiva dos trabalhadores avaliados está presente, mas trabalhando com perda de produtividade.

Na prática, o presenteísmo pode gerar:

  • mais erros;
  • retrabalho;
  • demora para concluir tarefas;
  • dificuldade de concentração;
  • piora da qualidade das entregas;
  • aumento da sobrecarga das equipes;
  • perda financeira silenciosa para a empresa.

Por isso, uma organização que monitora apenas ausências e afastamentos corre o risco de enxergar apenas a parte mais visível do problema.

Como calcular a taxa de absenteísmo?

Uma das formas mais comuns de calcular a taxa de absenteísmo é usar a seguinte fórmula:

Taxa de absenteísmo (%) = horas de ausência ÷ horas previstas de trabalho × 100

Exemplo prático

Imagine uma equipe com 8.000 horas previstas de trabalho no mês. Se, nesse período, foram registradas 320 horas de ausência, o cálculo será:

320 ÷ 8.000 × 100 = 4%

Nesse caso, a taxa de absenteísmo da equipe no mês foi de 4%.

É importante que a empresa defina com clareza quais tipos de ausência entram no cálculo, para garantir consistência ao longo do tempo.

Existe uma taxa ideal de absenteísmo?

Não existe uma taxa ideal universal.

O nível de absenteísmo pode variar de acordo com:

  • setor de atuação;
  • tipo de operação;
  • perfil da população;
  • sazonalidade;
  • jornada de trabalho;
  • critérios de cálculo;
  • contexto de saúde da empresa.

Mais importante do que comparar um número isolado com uma média de mercado é acompanhar a própria evolução histórica da organização e observar concentrações por área, cargo, unidade ou liderança.

A pergunta mais importante não é apenas “qual é a taxa?”, mas sim:

O que esse indicador está mostrando sobre a saúde das pessoas e as condições de trabalho?

Como analisar o absenteísmo de forma estratégica?

Para gerar inteligência de gestão, o absenteísmo precisa ser analisado de forma mais ampla.

Observe a evolução histórica

Entender se o indicador está subindo, caindo ou se mantendo estável ajuda a identificar tendências e períodos críticos.

Segmente por área e liderança

Se determinadas equipes apresentam mais faltas ou afastamentos, isso pode indicar fatores de risco específicos naquele contexto.

Diferencie ausências curtas e longas

Faltas pontuais recorrentes e afastamentos prolongados têm significados diferentes e podem exigir estratégias distintas.

Cruze com outros indicadores

É importante analisar o absenteísmo junto com dados de:

  • presenteísmo;
  • turnover;
  • clima organizacional;
  • segurança psicológica;
  • denúncias de assédio;
  • afastamentos;
  • indicadores de saúde.

Investigue as causas, não apenas o número

O indicador mostra que existe um problema. Mas é a investigação que ajuda a entender por quê.

Avalie os riscos ocupacionais e psicossociais

Além de acompanhar faltas e afastamentos, a empresa precisa investigar quais condições de trabalho podem estar contribuindo para o adoecimento.

A NR-1 passou a explicitar a necessidade de incluir os fatores de riscos psicossociais relacionados ao trabalho no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais. Isso significa identificar perigos como sobrecarga, assédio, baixa autonomia e falta de apoio, avaliar os riscos e construir medidas de prevenção relacionadas às causas encontradas.

Para entender as exigências, o papel do GRO e do PGR e os passos para a adequação, consulte o artigo NR-1: o que é, o que mudou e como adequar sua empresa

Como reduzir o absenteísmo nas empresas?

Reduzir o absenteísmo não significa pressionar pessoas adoecidas a permanecer no trabalho. Pelo contrário: uma estratégia consistente precisa atuar nas causas do problema.

1. Estruture bem o monitoramento

Tenha critérios claros, acompanhe a evolução do indicador e crie uma rotina de análise.

2. Atue sobre riscos psicossociais

A empresa precisa mapear fatores como excesso de demandas, baixa autonomia, conflitos, assédio, pouca clareza e falta de apoio.

3. Invista em prevenção

Atuar apenas quando o afastamento já aconteceu é sempre mais caro e menos eficaz do que agir preventivamente.

4. Revise a organização do trabalho

Sobrecarga, processos ineficientes, metas irreais e ambiguidade de papéis precisam ser enfrentados de forma concreta.

5. Desenvolva lideranças

Líderes têm papel central na distribuição do trabalho, no suporte à equipe e na construção de um ambiente mais saudável.

6. Fortaleça a segurança psicológica

Ambientes em que as pessoas podem pedir ajuda, falar sobre dificuldades e sinalizar riscos tendem a identificar problemas mais cedo.

7. Amplie o acesso ao cuidado

Acesso a psicoterapia, orientação psicológica, psiquiatria e apoio estruturado pode contribuir para evitar agravamentos.

Qual é o papel dos riscos psicossociais no absenteísmo?

Os riscos psicossociais são fatores relacionados à organização do trabalho, às relações profissionais e ao contexto de gestão que podem impactar a saúde mental e o funcionamento das equipes.

Entre eles, estão:

  • sobrecarga;
  • pressão excessiva;
  • falta de autonomia;
  • ausência de apoio;
  • conflitos;
  • assédio;
  • mudanças mal conduzidas;
  • insegurança psicológica;
  • falta de clareza de papéis.

Quando não identificados e tratados, esses fatores podem aumentar o sofrimento, o presenteísmo, os afastamentos e, consequentemente, o absenteísmo.

Por isso, empresas que querem atuar de forma mais estratégica precisam ir além do monitoramento das ausências e investir no mapeamento dos riscos que estão por trás delas.

Como o Censo de Saúde Mental da Vittude ajuda as empresas?

Quando o absenteísmo aumenta, o próximo passo não deveria ser apenas estabelecer uma meta para reduzi-lo. O mais importante é entender o que está causando esse movimento.

O Censo de Saúde Mental da Vittude ajuda justamente nesse ponto.

A partir de uma abordagem estruturada, o Censo permite mapear indicadores importantes da população, como:

  • saúde mental;
  • presenteísmo;
  • segurança psicológica;
  • fatores de riscos psicossociais;
  • grupos mais expostos;
  • temas prioritários para atuação.

Isso permite que a empresa saia de uma leitura genérica sobre faltas e afastamentos e passe a compreender com mais profundidade quais fatores podem estar comprometendo a saúde e a produtividade das pessoas.

Em outras palavras: o absenteísmo mostra o sinal. O Censo ajuda a investigar as causas.

Sua empresa conhece as causas por trás dos afastamentos?

Monitorar faltas e afastamentos é importante, mas o indicador, sozinho, não revela por que as pessoas estão adoecendo nem quais fatores presentes no trabalho precisam ser enfrentados.

Com o Censo de Saúde Mental da Vittude, sua empresa pode mapear fatores de riscos psicossociais, identificar grupos mais expostos e construir um plano de ação baseado em dados.

Conheça o Censo de Saúde Mental da Vittude e dê o próximo passo na gestão dos riscos psicossociais da sua organização.

O absenteísmo é um indicador importante, mas ele não deve ser analisado de forma isolada.

Quando bem interpretado, ele ajuda a empresa a enxergar onde pode haver adoecimento, sobrecarga, falhas de liderança, problemas de organização do trabalho e exposição a riscos psicossociais.

Os dados recentes de afastamentos por transtornos mentais no Brasil mostram que o tema exige atenção urgente. Ao mesmo tempo, o dado de 32% de presenteísmo mapeado no Censo de Saúde Mental da Vittude reforça que o impacto do adoecimento começa antes do afastamento formal.

Por isso, enfrentar o absenteísmo não é apenas reduzir faltas. É construir ambientes de trabalho mais saudáveis, sustentáveis e capazes de proteger a saúde das pessoas e a performance do negócio.

 

Tatiana Pimenta

Tatiana Pimenta é CEO e fundadora da Vittude, autora do livro Saúde Mental é Inegociável e palestrante sobre saúde mental, bem-estar e o futuro do trabalho. Empreendedora reconhecida por sua atuação na transformação da saúde mental nas organizações, foi eleita uma das 500 pessoas mais influentes da América Latina pela Bloomberg Línea (2024) e LinkedIn Top Voice na categoria Equilíbrio entre Vida e Trabalho (2023). Colunista da revista Época Negócios, compartilha conhecimento sobre liderança, saúde mental e cultura organizacional em veículos como HSM Management, Você RH e Você S/A. Você também pode me seguir no Instagram @tatianaacpimenta
Lider na américa latina na produção de conteúdos de saúde mental

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