A psicodinâmica do trabalho tem um papel fundamental na compreensão da dinâmica do trabalhador e o sofrimento e o prazer provenientes do ambiente laboral no qual ele está inserido. Neste contexto, falar sobre saúde e bem-estar no ambiente corporativo é algo que vem ganhando cada vez mais espaço e relevância.
Iniciativas voltadas para a qualidade de vida dos colaboradores já é um aspecto fundamental para garantir o crescimento sustentável das empresas, visto que os casos de adoecimentos atrelados ao trabalho são significativos. Síndrome de burnout, ansiedade e depressão são alguns dos transtornos de saúde mental responsáveis por afastamentos.
Para entender melhor o papel da psicodinâmica do trabalho e, é claro, como as empresas devem atuar para evitar o adoecimento do colaborador, continue a leitura deste artigo. Todas as informações sobre o assunto estão aqui!
A psicodinâmica do trabalhou surgiu na França, na década de 1980, e foi desenvolvida por Christophe Dejours, sendo multidisciplinar e pautando-se na ergonomia, sociologia do trabalho, psicanálise, psicologia, medicina do trabalho etc. É importante ressaltar, no entanto, que em primeira instância a psicopatologia foi a sua principal fonte de estudo.
No começo, o objetivo da psicodinâmica do trabalho era entender a relação entre saúde mental e trabalho, principalmente as doenças provenientes do ambiente laboral. Em um segundo momento, passa a focar também na relação do trabalhador com o sofrimento e o prazer no trabalho, além de entender quais estratégias e mecanismos de defesa, coletivos ou individuais, são desenvolvidos nesse ambiente para a manutenção da saúde mental.
Já em 1990, a psicodinâmica é consolidada a partir da explicação das consequências dos processos de trabalho e das estratégias de defesa em relação à subjetividade do trabalhador, e não somente sobre a sua saúde.
O aumento de casos de adoecimento atrelado ao ambiente laboral está tornando esta questão cada vez mais urgente. Em 2022, a síndrome de burnout foi reconhecida como doença ocupacional e o índice de afastamentos do trabalho por questões de saúde mental subiu mais de 23% entre 2019 e 2020.
Tudo isso nos faz refletir sobre a importância de compreender melhor a psicodinâmica do trabalho e o papel das organizações nos cuidados com o bem-estar dos colaboradores.
A psicodinâmica entende o trabalho como produto da relação entre o homem e a organização do trabalho. Este é um dos principais pilares para a construção da subjetividade e da vida psíquica e, por isso, pode ser uma fonte de sofrimento ou prazer.
Os estudos concluíram que o trabalhador cria estratégias de enfrentamento coletivas ou individuais, mesmo que de forma inconsciente, para manter a normalidade. Cada pessoa, dependendo da sua história e subjetividade, busca maneiras de garantir essa normalidade e reorganizar o ambiente e as relações de trabalho.
Com isso, procura mudar aquilo que gera desestabilização por meio de seus mecanismos de defesa. Em todos os casos, tais estratégias buscam uma relação mais harmoniosa e saudável com o trabalho, no entanto, é preciso ter em mente que elas também podem se tornar fatores alienantes. Ou seja: em alguns casos, mantêm o trabalhador estagnado, preso a um ambiente gerador de patologias.
As estratégias de defesa, portanto, não buscam a cura, a mudança ou a liberdade do indivíduo. Apenas visam reduzir o sofrimento, fazendo com que a pessoa continue no ambiente de trabalho mesmo que ele não seja saudável. O perigo é o trabalhador não refletir sobre os prejuízos sofridos e passar a acreditar que todo o contexto patológico é normal.
A origem de tal sofrimento está atrelada à história de vida e experiências do indivíduo. Ele pode ser patogênico, que acontece quando não há a possibilidade de se adequar o trabalho aos desejos intrínsecos e nenhuma defesa foi bem-sucedida. O sofrimento criativo, por sua vez, é quando por meio da criatividade a pessoa é capaz de estabelecer algo positivo para a sua identidade e, assim, preserva a sua saúde frente à organização do trabalho. Para Dejours, portanto, o sofrimento não pode ser extinto, mas modificado.
Dejours elaborou as categorias da psicodinâmica do trabalho com o objetivo de proporcionar respostas sobre a polaridade entre prazer e sofrimento, saúde e doença. São duas grandes categorias:
As organizações podem atuar de diversas formas em prol dos cuidados com o bem-estar e a saúde mental e física dos colaboradores. Entre as ações que podem ser colocadas em prática, considere:
Um programa de qualidade de vida no trabalho é um conjunto de técnicas e ações que tem como objetivo promover a satisfação e bem-estar dos colaboradores no meio corporativo. É uma maneira de elevar os resultados da empresa por meio de melhores condições de trabalho, que visem tanto a saúde física como mental dos funcionários.
Treinamentos, benefícios corporativos, educação financeira e flexibilização de horários são algumas das ações que podem ser inclusas nesse tipo de programa. O mais indicado é estudar os seus colaboradores e entender as suas principais necessidades para oferecer aquilo que é realmente atrativo.
Boa parte das empresas já tem iniciativas voltadas para a saúde física, seja por meio de benefícios corporativos que oferecem descontos em academias, aulas de yoga ou exercícios laborais durante o expediente etc.
Por outro lado, a saúde mental nem sempre recebe a mesma atenção. Estamos falando do cuidado e prevenção aos transtornos mentais que podem afetar a qualidade de vida dos colaboradores, como: síndrome de burnout, depressão, ansiedade, entre outros.
Para se ter uma ideia da gravidade da situação, segundo a OMS, o Brasil é o país com a maior taxa de transtornos de ansiedade do mundo. Transtornos mentais podem afetar a produtividade e felicidade dos funcionários, além de contribuir para o aumento de índices como turnover e absenteísmo.
Infelizmente, no Brasil a psicoterapia ainda é um serviço elitizado ao qual boa parte da população não tem acesso. Mas já existem soluções e uma delas é oferecê-la como um benefício corporativo aos funcionários.
Ambientes de trabalho que não reconhecem os seus colaboradores também podem se tornar nocivos, impactando o bem-estar de todos. Por isso, ter um bom programa de reconhecimento profissional é muito importante, pois é uma maneira de garantir que todos terão os seus esforços valorizados no momento certo.
Entre os principais modelos, os mais conhecidos são:
A síndrome de burnout e a ansiedade são problemas de saúde mental muito comuns em ambientes de trabalho com cargas de trabalho excessivas e alta competitividade. O caminho da prevenção é incentivar o equilíbrio, até mesmo por meio da flexibilização de horários de trabalho e do home office.
Uma cultura organizacional saudável e equilibrada também é fundamental para que todos tenham em mente o que é e o que não é tolerado no dia a dia de trabalho.
Por fim, o treinamento focado nas lideranças também é um ponto importante porque estes profissionais têm um poder de influência muito grande nas empresas e são responsáveis por incentivar, orientar e inspirar outros colaboradores.
O fit cultural é essencial, mas, além disso, é necessário que sejam indivíduos com inteligência emocional para lidar com todos os desafios de uma posição de liderança sem impactar negativamente os seus times.
A saúde mental de uma pessoa pode impactar o seu trabalho e o trabalho, por sua vez, é capaz de influenciar a saúde mental. Trata-se de uma relação complexa e que exige a atenção de todos os envolvidos para a manutenção de um ambiente laboral mais saudável e equilibrado.
Lembre-se de que o adoecimento dos trabalhadores implica em vários tipos de prejuízos para a empresa, portanto, cuidar da saúde dos funcionários significa cuidar do crescimento sustentável da organização.
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