Processo do vício_ corpo e mente_

Processo do vício: corpo e mente.

Este texto tem por objetivo clarear para o leitor o quanto a questão de abuso/dependência química tem traços psicológicos importantes e que não devem ser ignorados ou ser restrito apenas no “usar e parar de usar”, o que evidenciaria apenas o topo do iceberg, com toda pedra que se tem por de trás.

A busca pelo prazer desde o nascimento

Desde quando nascemos, a busca por prazer se faz presente juntamente com a necessidade de sobrevivência, aliada as frustações e possíveis privações.

Após a chegada triunfante do parto, começamos a “com” viver em meio a sociedade onde temos que nos adaptar a emitir comportamentos que indiquem nossos desejos.

Os cuidadores mais próximos vão repassando seus conhecimentos para esse novo ser, evidenciando seus próprios traços de personalidade. Aqui a ciência parece coadjuvante por vezes, o instinto se faz mais presente no dia a dia desse novo ser em formação.

Com a forma de educar, as raízes de DNA e personalidade, um novo ser passa a se adaptar a nova realidade…Viver longe do cordão umbilical!

A formação do ser

Um passo atrás do outro, literalmente falando, um novo ser vai se formando digerindo todos os cuidados, ou não, fornecidos por seus cuidadores mais próximos. A interação com pessoas fora de seu convívio diário vai aumentando paulatinamente ao ponto que adquirimos também uma parte do outro, sendo ela positiva ou negativa.

Assim como uma esponja, absorvemos de nossas vivências características do meio, e destes fazemos um compilado, moldando dia a dia nossa personalidade, nosso ser no mundo.

Toda essa experiência de amor, dor, perda, frustração, desejos, desenham nossa forma de encarar a vida, bem como os desafios que ela nos mostra.

Muito embora o passado não tenha que ser determinante, tal como um destino pronto, um fardo, um peso, ele pode indicar que a criação de crenças disfuncionais onde estas podem interferir na sua qualidade de vida, ao longo da vida.

A necessidade de adaptar se ao meio, digerir a realidade que se coloca, nos coloca frente a frente muitas vezes com substâncias externas, com promessa de prazer imediato e alívio da pressão do dia a dia.

Busca pela liberdade e conforto e a dependência

As substâncias que nos deixam mais à vontade e livre, geralmente chegam no meio da adolescência, em meio ao espírito desafiador, opositor característico à fase. Sendo assim, elas nos apresentam um mundo de prazeres e devaneios que podem ocasionar a temida dependência química/psicológica.

Conhecer seu corpo e mente, facilita o processo de identificação das questões que envolvem a necessidade de ingestão de prazer.

Uma rede de apoio (que pode ser família, igreja, amigos, parentes, escola, entre muitas outras) atenta é importante para auxiliar nesse processo de instabilidade emocional, aliado a transformações físicas que acomete muitos jovens.

Embora na realidade atual a rapidez, agilidade e precisão sejam características altamente motivadas, para muitas questões íntimas e emocionais essa matemática não fecha, não faz sentido, o que faz com que haja muita frustração por parte de pacientes e familiares.

Não há no entanto, uma receita pronta, tal como uma receita de bolo, que apenas a junção dos ingredientes na ordem e jeito certo, farão com que as substâncias consumidas em excesso cessem, até porque acredita-se que a o abuso ou dependência de substâncias tem base além de química, emocional.

Sabendo disso, o primordial é: Melhorar a integração entre corpo e mente, e investir em qualidade de vida aliada ao que faz sentido para você e sua realidade.

Quando entendemos as crenças disfuncionais (as que não funcionam, em termos mais claros) que nos acometem, entendemos os comportamentos automáticos no dia a dia, e os efeitos que eles  tem na nossa vida.

Se “re”conhecer pode ser doloroso, mas tem a intenção de ser liberta “dor”, entender seus limites, entender até onde eu consigo ir ou ficar, desenhar uma nova interpretação da vida, entender que alguns comportamentos são comprometedores da sua saúde mental, e que a vida está posta, uma só, exigindo de nós que apenas tenhamos dias mais leves.

Quando iniciamos nesse processo terapêutico de se “re conhecer”, a pessoa humana fica mais em evidência, como personagem principal, e não a substância que ela utiliza, que o controla muitas vezes.

Vale a pena investir em si, colocar paradigmas à prova, questionar se e aventurar-se em uma jornada mais clara.


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