Ansiedade e pandemia

Saúde mental, ansiedade e pandemia

Nessa pandemia, nossa saúde mental acabou sendo muito prejudicada, e a porta para os transtornos de ansiedade acabou sendo escancarada. Então, vamos conversar um pouco sobre esse assunto?

Ansiedade na pandemia: o cuidado prévio com a saúde mental

Mas o que é saúde mental? E como cuidar dela? Essas são perguntas que poderiam ser respondidas num doutorado, num tratado de psicologia. Mas para nós, aqui, vamos entender a saúde mental de uma maneira bem simples! É o “bem viver”.

Contextualizando, a saúde mental de um sujeito é ele estar implicado em cumprir as exigências da vida (amor e trabalho, resumidamente) de uma maneira, mais ou menos equilibrada e conseguindo também suportar as pequenas insatisfações comuns do viver (a “infelicidade comum”, a qual Freud se refere).

Assim, ter saúde mental, mesmo em tempos “normais”, já seria uma tarefa complexa.

E manter a saúde mental em tempos de pandemia?

Bom, sabemos que tudo deu uma complicada extra. A pandemia da Covid-19, arrisco dizer, está sendo o maior desafio das nossa geração e devemos reconhecer sua gravidade.

Conforme nossa rotina foi revirada, de uma hora pra outra tivemos que começar a lidar com uma vida completamente diferente daquela que conhecíamos. Exigências de trabalho que mudaram (ou estamos em home office, ou nossa renda diminuiu porque o trabalho diminuiu, ou estamos impossibilitados de trabalhar, ou trabalhando ainda mais e lidando diariamente com a possibilidade de adoecer), as exigências familiares e as de saúde.

De repente, tivemos de lidar com a solidão imposta (e esse encontro com nós mesmos às vezes é bem complicado), ou com o convívio familiar sem descanso, ou com o luto solitário quando perdemos um ente querido, ou com o vislumbre da nossa própria finitude.

Ou com tudo isso junto. Tarefas antes corriqueiras, como ir ao mercado ou a farmácia tornaram-se cheias de procedimentos, protocolos e cuidados. Outros serem humanos são vistos com medo pelo potencial risco de estarem contaminados. Não abraçamos, não nos aproximamos daqueles que amamos. Tudo isso nos dá notícias da gravidade da pandemia.

Parece que a saúde mental fica num horizonte distante diante de todas essas demandas da nova realidade. E, é certo, levando tudo isso em consideração, a pandemia pode afetar nossa vida mental de múltiplas formas. Hoje pretendo pensar sobre a ansiedade.

A ansiedade causada pela pandemia

Certamente tem sido bastante comum na clínica a queixa de ansiedade ligada à essa situação imposta pela Covid-19.

Mas, afinal, o que seria essa ansiedade relatada pelos pacientes? Costumo interrogá-los sobre esse sintoma: “o que é isso que você chama de ansiedade?”. Não raro eles me relatarem sintomas físicos: taquicardia, boca seca, tremores, algumas vezes, dificuldade para dormir ou para realizar tarefas do dia a dia.

Para Freud, ansiedade é o medo sem um objeto bem definido, nomeado. Um exemplo de medo com um objeto conhecido: é natural que tenhamos medo de ladrão e, quando temos a infelicidade de cruzarmos com algum assaltante, nosso corpo reage com taquicardia, tremor e boca seca, não é? Ladrão é um objeto do medo.

Quando um paciente nos diz que está ansioso e descreve esses sintomas, ele está nos dizendo que está experimentando a sensação desse encontro com o objeto causador de medo, mesmo que ele ainda não o consiga circunscrever em palavras. A ansiedade, assim como o medo, é paralisante da vida.

E como lidar com isso que nos atravessa, numa crise aguda.

Dicas para enfrentar a ansiedade na pandemia

Aqui vão alguma dicas.

  • Faça essa interrogação a você mesmo!

O que é isso que eu estou sentindo? Por que estou sentindo? Como começou? O que deflagrou?

  • Reconheça seus limites!

A necessidade é que reafirmemos a gravidade da pandemia. É, sim, uma situação complicada, sem uma preparação psíquica possível, embora tivéssemos notícias do desenrolar da doença em outros países.

É preciso que cada um de nós tenha humildade diante disso, que é incontrolável (ora, numa cabeça de alfinete cabem mais de 1 milhão de vírus!) e fazer o que é possível: evite sair de casa, usar máscara, lavar as mãos.

Mas, além disso, tenhamos mais carinho conosco! Muitas vezes temos ideais muito altos (“quero emagrecer 20 kgs”, “quero produzir mais” “quero ser uma pessoa mais zen”) pelos quais acabamos sofrendo quando não alcançamos – e, precisamos reconhecer, é bem fácil a gente não alcançar.

(Não quero dizer que seja impossível. É bom ter ideais, metas! Quero dizer que o momento atual impõe condições físicas e psíquicas peculiares e que talvez seja mais conveniente agora que tenhamos paciência e calma!).

Talvez não seja o melhor momento para se exigir tarefas hercúleas. Ou não seja a hora de emagrecer todos os quilos desejados no réveillon. Talvez seja uma vitória a ser celebrada conseguir fazer um arranjo entre o EaD e as tarefas de trabalho. Ou ler aquele livro, ou conseguir acertar aquela receita. Para as mães, não exija das crianças o mesmo rendimento no EaD em comparação com as aulas presenciais. Elas também estão sentindo muito os efeitos da rotina revirada.

Ser carinhoso consigo mesmo, ser mais condescendente com o próximo. Não levar as coisas tão a “ferro e fogo”. E, de vez em quando, se permitir rir disso tudo.

  • Estabeleça uma rotina

É importante ter uma rotina estabelecida. Que se reserve um lazer aos finais de semana que nos dias de semana não seja possível (nem que seja ver uma série comendo pipoca!), é importante que consigamos estabelecer horas e lugares de trabalho, horário para o estudo dos pequenos.

  • Medite

Na verdade, a dica poderia ser “aprenda a respirar”. Natural que quando entramos na espiral de ansiedade, a respiração fique descontrolada, acelerada. E isso piora bastante nossa percepção do que no acomete.

Dessa forma, é necessário que tenhamos ferramentas para que a respiração entre num ritmo normal e nos acalme. A meditação tem várias técnicas bem interessantes de controle da respiração. “Ah, mas eu não sei sei meditar”, você diria. Você também nasceu sem saber falar, andar… aprendeu a ler e escreve.

Meditar é um aprendizado e é natural que a gente não consiga logo. Se você conseguir controlar sua respiração já será um grande passo. Hoje temos vários aplicativos de meditação, videos no youtube e áudios em plataformas como o Spotify.

  •  Procure um psicólogo

Finalmente, se você já vem tentando lidar com as suas questões ou com um grau de grande ansiedade na pandemia, busque ajuda. Se sentir que tudo parece fora de prumo e você se sente paralisado diante da vida, talvez seja a hora de você procurar uma ajuda profissional que te ouça.

Não enfrente essa ansiedade sozinho(a) durante a pandemia. Juntos vocês podem descobrir as raízes desse sofrimento.


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