Quando as tragédias vêm

Não creio que seja necessário uma tragédia para se aprender na vida, mas, sábio é quem consegue aprender quando elas vêm. Elas estão por aí, escondidas; algumas são anunciadas, outras inesperadas; algumas produtos exclusivamente da natureza, outras (in)responsabilidades do homens. Todavia, acontecem, de uma forma ou de outra. Por exemplo: um incêndio florestal. É terrível vê a luta desigual dos bombeiros contra a fúria das chamas…elas agem como se tivessem vida própria, como se pensassem…uma hora estão indo num sentido, de repente, mudam de direção…mas o fogo não age sozinho, ele tem um aliado, que as vezes sozinho provoca tragédias: o vento…assim, fogo e vento, não dizem nada, outras vezes, são devastadores! Bem, aí estão! Mas, do fogo e do vento, no fogo e no vento, é possível ver e aprender algumas lições, quem for sábio.

Quando morei em Portugal, na cidade de Póvoa do Varzim, um dia, andando pela marina, entre Póvoa de Varzim e Vila do Conde, vi, no céu, um espetáculo produzido pela tragédia de um daqueles incêndios que acontecem em Portugal. O tenso fumo (como lá se diz) cobria o céu, resultado dos incêndios nas cercanias. A fumaça, por mais tensa que fosse, não tinha poder suficiente para deter a força do sol. Da tragédia o espetáculo se fez: fogo, fumaça, vento sol e mar!

As pessoas perdem casas, bens, amigos, familiares…bombeiros morreram…mas, vizinhos indiferentes, antes, juntaram-se para combater as chamas; desconhecidos inexperientes ajudam, bravamente, os bombeiros…há choro, revolta, comoção…mas, todos estão de acordo num ponto: a vida continua! Assim, amigos, não sei qual e quais têm sido as tragédias da vossa vida (incêndios, enchentes, vendavais, enfim), mas, uma coisa é certa: a vida continua…olhe para frente…tire um tempo para andar pela “marina” da tua vida…tente fotografar a tua própria alma, e verás que há lindas paisagens; coreografe os passos do teu ser, e verás movimentos indescritíveis;  pinte as tuas palavras, e verás obras de arte de preço imensurável… Viva!

E como diz o professor Mario Sérgio Cortella: “não espere pelo epitáfio”. Ou, parafraseando o poeta Sergio Britto: “ame mais, chore mais, veja o sol nascer,  arrisque mais e até erre mais, faça o que queira fazer, aceite as pessoas como elas são; cada um sabe a alegria e a dor que traz no coração. O acaso vai te proteger, enquanto você andar distraído. O acaso vai te proteger, Enquanto você andar…complique menos, trabalhe menos, veja o sol se pôr, se importe menos com problemas pequenos, morra de amor, aceite a vida como ela é, A cada um cabe alegrias e a tristeza que vier…”

Viva…morra, renasça! A vida continua dia a dia, momento a momento.


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