Sobre a paciência

Paciência: qualidade, disfarce e conquista

Se você assim como eu, vê-se em muitos momentos irritado com coisas do dia a dia que não deveriam, mas que te levam ao limite da irritação e do desconforto, você está lendo o texto certo para te ajudar a melhorar seu desempenho diante de tais acontecimentos. É pertinente explorar o conceito de paciência diante do imediatismo em que estamos mergulhados. Isso nos ajudará a entender o que é, e qual o papel dela em nosso desenvolvimento pessoal.

Contextualizando a paciência

A paciência é em si é a capacidade das pessoas em não se incomodarem em situações adversas, tais como: esperar em filas ou estabelecimentos públicos, irritar-se quando aquilo que foi planejado sai do controle, ou então quando nas relações em geral há desentendimento devido às diferenças naturais em qualquer ambiente.

Geralmente, os chamados “pacientes” não se irritam com coisas pequenas, lidam bem quando perdem o objeto que gostariam de usar naquele momento, ou o ônibus que passou antes da hora, não se irritam quando em uma prova sua avaliação é baixa. Se você é um pessoa que nunca perdeu a paciência com coisas assim, então você realmente é um ser privilégiado.   

Independente do rótulo que costumamos dar aos pacientes e aos impacientes, tratamos aqui de pessoas, pois somos nós que fazemos parte de um grande grupo que luta para ter mais paciência diante dos desafios que a vida vai nos mostrando. Já se perguntou se você é uma pessoa paciente? Já se perguntou como seria se você fosse mais paciente com você mesmo e com os outros, e o que isso mudaria em sua vida? Bom, essas perguntas nos ajudam a adentrar um campo que é nosso e que precisa ser visto por nós mesmos.   

Paciência a toda prova?

Algumas pessoas carregam consigo o dom de serem pacientes, isso parece ser uma característica inata que integra seu perfil. Por vezes, pessoas assim tem grande facilidade de relacionamento e tornam-se admiráveis em determinados ambientes, pois sua capacidade de escuta fica evidente.

Porém não se engane com os pacientes à primeira vista. Eles podem enganar e serem grandes condutores de raiva, ciúmes, mágoas, tristezas, estresse, paranoias e todo conteúdo emocional prejudicial a ambientes onde se encontram. Geralmente os conteúdos agressivos de um ambiente familiar ou de trabalho são conduzidos apenas por todos os tipos pessoas, independentemente de serem ou não pacientes.   

A questão é que os ditos “pacientes por natureza” também necessitam de manejo e precisam estar atentos ao que acontece consigo. Em muitos casos estes indivíduos dizem que “demoram muito para entrar em uma briga, porém demoram mais ainda para sair dela”. Convenhamos, brigas em relacionamentos são normais, porém pessoas que não sabem o tempo de término delas tornam-se pessoas de difícil de convívio. Se você é uma pessoa paciente por natureza sorte a sua, porém entenda que você precisa trabalhar os mínimos conteúdos que te irritam, ou eles podem se tornar grandes problemas para o futuro. 

A falta de paciência e o índice de ansiedade

Ainda há pessoas que conseguem disfarçar sua irritação em muitas situações. Vão adiante com cara de paisagem, porém dentro delas estão extremamente chateadas e irritadas. Geralmente estes indivíduos já foram explosivos em algum momento e depois de muito tempo trabalhando-se, adquiriram a capacidade em permanecer imóveis a experiências irritantes.

É fato que a falta de paciência é considerada um obstáculo para pessoas que enfrentam problemas com ansiedade. Quando há níveis mais elevados, geralmente as pessoas precisam se adaptar às situações que são descritas como insuportáveis. São diversos os problemas enfrentados por estes indivíduos, vão desde evitação em filas de espera, quando marcam hora geralmente são pontuais e demonstram incapacidade de tolerância com pessoas que costumam se atrasar, mesmo adaptadas, enfrentam grandes dificuldades quando surgem problemas que são imprevisíveis, assim, é comum que queiram ter tudo sob seu controle.

O disfarce segue pois é a forma mais saudável que encontram para lidar com situações desagradáveis, e provavelmente irão achar outro ambiente para descarregar o desconforto gerado por tal situação.   

Paciência em desenvolvimento contínuo

Por outro lado existem pessoas que conseguem ver-se em um processo de desenvolvimento contínuo e que praticam a paciência primeiramente consigo e assim encontram maiores chances de lidar com situações que incomodam. Dessa forma, essas pessoas irritam-se com frequência, porém possuem a capacidade de conduzir as situações a seu favor, tendo claro que ao externalizar o conflito podem estar desorganizando os ambientes ou relacionamentos.

O fato de a pessoa reconhecer-se e estar diante de uma situação-problema pode gerar sim desconforto, brigas, irritações, e todo tipo de sentimentos indesejados. Porém, o que o indivíduo faz com estes sentimentos é o que vai determinar se a situação será desagradável ou controlável. Parece que este conceito já é do senso comum, porém quando entramos em psicoterapia e nosso comportamento começa a mudar, nós podemos observar que fica mais leve ter tais atitudes.

O desenvolvimento emocional do ser humano com certeza perpassa este tipo de experiência: de reconhecer-se como pessoa em sua integralidade. Posteriormente a experiência de mapear as situações que necessitam de atenção e assim poder agir sobre ela, tendo ele mesmo a capacidade de decidir o que necessita para que consiga ser mais humano e assim mais completo e feliz. 

Táticas para manter a calma

Em situações momentâneas onde há dificuldades de manter a calma, podem nos ajudar algumas táticas. Como essas que cito abaixo: 

  • Dentre elas está a sua respiração, preocupe-se com ela. Quando você perceber a possibilidade de perder a paciência, procure esvaziar-se de todos os pensamentos. Respire lentamente e, se tiver tempo, faça o exercício de inspirar e expirar por dez vezes. 
  • O exercício físico é sempre importante, porém uma boa caminhada em um lugar agradável pode introduzir a capacidade de refletir sobre o que faz você perder o controle. Faça uma caminhada e entenda o que estou dizendo aqui. 
  • Busque silêncio ao final do dia em um ambiente agradável. Pode ser na sua casa ou em qualquer outro lugar que você se sinta bem. Escreva o que te fez sair do controle e busque entender o que realmente aconteceu. 
  • Procure escutar, entenda quando os ânimos à sua volta estão exaltados e procure escutar mais do que interagir. São momentos difíceis e que precisam de pessoas que, como você, estão buscando o autocontrole. 
  • Quando estiver com sentimento de impotência diante de realidades difíceis, busque pensar em momentos quando você se sentiu muito bem. Entenda que a vida está a seu favor e que você será surpreendido por ela com muitas coisas boas.

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