O que nos deixa mais ansiosos hoje em dia?
Antes de tentarmos identificar as causas da ansiedade, é importante entendermos o que é ansiedade. Em uma definição simples e direta, ansiedade é uma preocupação relacionada a algo que ainda não aconteceu.
É um estado de agitação, acompanhado de receio por eventos antecipados e expectativa de uma futura ameaça. A pessoa com ansiedade geralmente sente inquietação e preocupação generalizada e sem foco, como uma reação exagerada a uma situação que é apenas subjetivamente vista como ameaçadora. Pode vir acompanhada de tensão muscular, inquietação, fadiga e problemas de concentração. Viver momentos de ansiedade em si não é um problema, mas quando vivida com frequência o indivíduo pode sofrer de transtornos de ansiedade.
Essa é uma definição clássica e generalista da ansiedade. Porém, como ela realmente funciona? Como sentimos ou expressamos a ansiedade?
A verdade é que cada um vai responder à ansiedade de uma forma diferente.
Muitas pessoas conseguem descrever e identificar muito bem quando estão ansiosas. “Quando penso na entrevista de emprego sinto um embrulho no estômago”, ou “só de lembrar daquele assalto meu coração palpita, mãos gelam e não consigo sair de casa”.
Para alguns é fácil identificar um estado ansioso. Contudo, para outros, é mais difícil reconhecer que uma gastrite pode estar associada a uma preocupação.
Há pessoas, por exemplo, que possuem o tempo inteiro em suas mentes o receio de que não serão bem-sucedidas na vida profissional. Elas acordam, tomam seu café e de repente são tomadas por aquela onda de pensamentos: “Será que devo continuar nesse emprego? Se sair, vou conseguir um trabalho melhor? Será que eu seria valorizado no mercado? Tanta gente boa correndo atrás de uma oportunidade… Será que vou me aposentar? E se o dinheiro acabar?”. Quando menos esperam, esses pensamentos tomam sua mente 24 horas por dia, causando dificuldade de concentração em várias tarefas.
Apesar de esse grupo de pessoas pensar constantemente no que lhes causa apreensão, tem dificuldades de associar que esse modus operandis da mente possa causar dores emocionais, principalmente por não considerar esses pensamentos catastrofizantes dignos de reflexão. Chamamos isso de um tipo de “negação”.
E nós humanos somos especialistas em negar problemas que precisam ser lidados, não é mesmo? Somos extremamente criativos na forma de fazer isso!
A ansiedade também pode surgir quando você acha que não deve pensar em um problema a ser resolvido ou algo que merece sua atenção e fica lutando contra esse “dever”.
Funciona assim: você sabe que precisa resolver um relacionamento que causa muitas mágoas, mas evita pensar. No entanto, seu estômago está sempre queimando e as dores de cabeça surgem “do nada”. Ou quando você passou por um evento traumático, como uma situação violenta, mas você seguiu com a vida “sem pensar naquilo”. Porém, de vez em quando, como se fosse “do nada”, seu coração acelera, seu corpo treme, as mãos esfriam, você paralisa e a sensação de que o mesmo evento traumático vai acontecer novamente se torna iminente. Todavia, assim que os sintomas vão embora você finge que nada aconteceu.
Por isso é tão importante compreendermos que, para cada indivíduo, a ansiedade se manifesta de um jeito diferente.
Essas situações são mais comuns do que possam parecer. Psicólogas escutam constantemente nos consultórios as possíveis causas da ansiedade: trabalho, violência, doenças, finanças, etc., parecendo reconfortante pensar que a ansiedade é determinada apenas por uma delas. Em nossas cabeças pode ser mais “lógico” pensar a ansiedade como uma equação:
Individuo + evento traumático = ansiedade.
Entretanto, isso não é verdade.
A ansiedade é causada por um emaranhado de eventos que integram sua vida. As ciências do comportamento e as experiências das psicólogas clínicos nas últimas décadas atestam que a ansiedade é causada por uma multiplicidade de fatores.
Vamos fazer um exercício rápido: tente visualizar uma matriz em sua mente, onde várias linhas se cruzam, igual a uma teia de aranha. Nesses cruzamentos existem marcas, pontos. Cada um desses pontos representa uma experiencia na sua vida, que vem a contribuir com aquele momento de ansiedade. Essas experiências são relacionamentos, eventos que lhe causaram medo, situações que lhe ensinaram a interpretar a vida de uma forma mais ansiogênica, eventos que lhe violaram, filmes a que você assistiu e te ensinaram uma lição de vida, pessoas que te magoaram ou conquistas que lhe ensinaram que só é possível vencer na vida por meio de muita dor e sacrifício.
Conforme vamos avançando em nossa idade, vamos enchendo essa matriz ou teia de aranha com pontinhos que determinam o grau de ansiedade que sentiremos em determinadas situações. Hoje em dia várias coisas contribuem para criarmos novos pontinhos ou os ativarmos na matriz da ansiedade:
– Relações de trabalho, seja porque você trabalha muito, tem medo de perder o emprego ou porque está desempregado;
– A violência urbana, medo de ser assaltado, sofre um acidente de carro ou a cidade cair em nossas cabeças;
– As mídias sociais que constantemente nos enchem de informação sobre o que é certo e errado e como deveríamos estar vivendo nossas vidas;
– Os sonhos que você precisa conquistar pois, seus pais não conseguiram, cabe você ser a geração que vence na vida!
– E claro as perdas que vivemos, as pessoas amadas que partiram!
Diante de tantas situações, como fazermos para não colocarmos tantos pontinhos na matriz da ansiedade?
Aprendemos na escola que a disciplina de História nos ensina o passado para construirmos melhor o presente e o futuro. Isso não é diferente com você no âmbito individual. Não existe receita instantânea para vencer a ansiedade. Aquela do tipo “siga esses dez passos e você vai ser feliz eternamente”. Todos nós possuímos uma história diferente e é a partir das experiências de cada um, em casa, com a família, na escola, nas cidades e nas diferenças culturais que estamos inseridos, que aprendemos a interpretar a vida com emoções e entendimentos completamente diferentes uns dos outros.
E, a cada ponto que colocamos na matriz, contribuímos para uma compressão diferente de uma situação ou reforçamos um entendimento que colabora com a ansiedade ou a intensifica em determinadas situações.
Conheça sua matriz da ansiedade. Psicoterapia serve para compreender de onde começamos a nossa teia de aranha chamada vida! Aos poucos vamos entendendo como os fios se cruzam, porque eles se cruzam de determinada forma e como isso nos ajuda a sentir medo onde deveríamos sentir esperança; preocupação onde deveríamos ter a liberdade de chorar; sentirmo-nos triste ou paralisados onde deveríamos ser objetivos e práticos; egocêntricos onde poderíamos amar e deixar a liberdade entrar.
Se a ansiedade lhe deixa mais deprimido e melancólico, busque ajuda para entendê-la. Ninguém precisa passar por isso sozinho. Não aprendemos sozinhos; sempre temos ajuda externa, seja ela qual for. Não é diferente com a sua história de vida. Busque um ajuda adequada e procure entender onde em sua história sua ansiedade ganha sustentação para lhe dominar.
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