A cultura artística é um bem valioso do ser humano que pode auxilia-lo na transformação de suas crenças e valores de forma tranquila e prazerosa. Por meio da musicoterapia, através de um ambiente seguro disposto pelo lazer e tranquilidade da música, as pessoas externam suas emoções livremente sem reservas, pois a princípio estão expressando ou ouvindo uma canção alheia, e não falando de suas emoções, que, por vezes, para muitos pode ser algo constrangedor e intimidador.
Primeiramente a atenção da pessoa é retida com a música, porém simultaneamente ela estará liberando suas emoções presas no inconsciente para o consciente. E é por esta abertura que o psicoterapeuta pode vislumbrar os arquétipos que limitam suas crenças para ressignificar conteúdos existentes que foram evocados por sua memória, através da elaboração do discurso que surge após a lembrança propiciada pelo contexto musical.
Muitos estudos científicos sobre a influência da música no organismo foram realizados com o intuito de compreender esse processo psíquico e neural que a música desenvolve no indivíduo, tendo hoje cientificamente a comprovação de muitos destes estímulos. Além destes existem outros estudos desconhecidos que sugerem reflexão, como a influência da música no sistema endócrino no processo digestivo e de força muscular, aumentando a resistência a dor, mas que já possibilitam o uso e a intervenção da música em processos terapêuticos nas diversas áreas humanas como a musicoterapia.
Musicoterapia e seus efeitos no córtex cerebral
A música como agente de condução auditiva possui atributos que trabalham os dois hemisférios do córtex cerebral, ativando áreas da memória, atenção, motora e cognitiva do cérebro, além de alterar quimicamente o organismo modificando nosso metabolismo e alterando o estado emocional que influencia no comportamental.
Quando ouvimos o compasso de uma música, que rege o tempo de duração musical de um grupo de sons, estes estímulos sonoros são transformados em estímulos elétricos pelo cérebro que induz a liberação de hormônios, alterando a bioquímica do nosso organismo. Um compasso em Adagio (lento), devido á duração maior do tempo num som contínuo e harmônico, pode diminuir a frequência cardíaca e a frequência de pulsos, ocasionando pelo cérebro a liberação de dopamina que influi em um estado físico de tranquilidade e relaxamento. Já um compasso em Allegro (ligeiro), com uma duração menor de tempo e sons intercortados e diferentes, possui um efeito contrário no físico com a aceleração dos batimentos cardíacos e pulsos, estimulando o cérebro á liberação de adrenalina e serotonina, o que nos leva a um estado de alerta e euforia.
Memória e cognição
Para lermos uma partitura musical são desenvolvidas várias áreas do córtex cerebral em conjunto para essa ação, pois é necessário acionarmos a atenção, memória, cognição e visão para a leitura e percepção dos sons, como também a área motora para articularmos a fala enquanto se canta. Mesmo quando essa ação não envolve a área visual pela leitura da partitura, o mesmo processo é desencadeado por outras áreas envolvidas para a execução da música.
Pelo ato de ouvirmos a letra de uma música a cognição é acionada, pois o cérebro precisa compreender as palavras contidas naquela letra, processando assim tanto o hemisfério direito (que trabalham o lado das emoções e memórias contidas nas palavras), quanto o hemisfério esquerdo (que trabalha a parte cognitiva do raciocínio conceitual das palavras). Tudo de forma rápida e simultânea, pois a média de duração de uma música varia entre 3 a 5 minutos.
Quanto a percepção musical pode-se citar ainda a influência que a música tem em nossas emoções ao acionarmos as áreas do sistema límbico. Ao ouvimos uma música automaticamente acessamos nossa memória que nos faz recordar de algum contexto, nos direcionando a lembranças boas ou más, alterando nosso estado emotivo. Assim, através do simples ato de ouvirmos uma canção, estabelece-se a ligação com todas as áreas relacionadas a percepção dos sons, levando o indivíduo a variados estados físicos e emocionais.
Musicoterapia e seu efeito terapêutico
Existem várias propostas de trabalho com objetivos terapêuticos por meio da música, no entanto somente a Musicoterapia utiliza de técnicas para objetivos psicoterapêuticos. As técnicas usadas variam conforme a proposta e o que se pretende alcançar no processo, exigindo do psicoterapeuta bastante criatividade.
É possível trabalhar individual ou em grupo, porém o mais comum é uma proposta de Musicoterapia em grupo, estabelecendo-se o vínculo necessário, fundamental para fortalecer os elos com a harmonia e segurança que o processo psicoterapêutico exige. Também o apoio que o grupo oferece pela identificação com a música facilita e fomenta o objetivo da proposta, auxiliando as pessoas na abertura do processo terapêutico quando se veem transportadas em suas lembranças através dos sons, ritmos e melodias, de uma forma tranquila e por muitos prazerosa.
Por todos esses fatores fisiológicos e psíquicos, a música consegue atrair o interesse das pessoas por estes gatilhos simultâneos que chegam até o cérebro no processo neural. Pode-se dizer que a melodia da música vibra por todo o nosso corpo, “sentimos” literalmente a música, porque ela libera hormônios dependendo da vibração rítmica dos tons. Assim automaticamente evocamos lembranças que nos conduz a outras paisagens mentais, acionando a memória e trazendo emoções que podem estar ligadas a uma simples canção. Com isso, é possível pela Musicoterapia trabalhar traumas ou bloqueios existentes no indivíduo, trazendo-os à tona pela emoção despertada ao som de uma canção. Eu o convido a descobrir a música que toca em você e juntos ouvirmos a trilha sonora da sua vida!




Deixe um comentário