Tenho escutado relatos de muitas pessoas, tanto nos atendimentos quanto no convívio social entre amigos e familiares, que durante a quarentena estão se sentindo mais cansados mentalmente e como isto tem impactado na realização das tarefas, tanto no trabalho quanto na rotina diária da casa. Quando falo para estas pessoas sobre “fadiga mental” muitos se surpreendem por não terem ouvido falar ou sequer ter lido sobre o assunto nas mídias. Por este motivo, acredito que quanto mais falarmos e divulgarmos conteúdos sobre o assunto, mais conhecimento teremos sobre o que está de fato acontecendo em nosso corpo e mente.
Trabalho remoto na pandemia
Devido a pandemia do novo coronavírus de 2020, o isolamento social foi a alternativa encontrada para evitarmos a disseminação do vírus e, com isso, o trabalho remoto (ou home office) foi o meio que muitos trabalhadores e empresas encontraram para me manterem ativos e aderindo assim cada vez mais o digital em suas vidas e rotinas enquanto uma vacina ou medicamentos eficazes não surgem no mercado.
De fato, o trabalho remoto não era uma realidade para a maioria dos brasileiros que, da noite para o dia, tiveram que além de adaptar rapidamente seus lares para incorporar o seu ambiente de trabalho naquele espaço que até então era considerado como lazer e refúgio, também tiveram que se adaptar a uma nova forma de trabalho e comunicação sem muito preparo e com pouquíssimos estudos sobre os impactos desta modalidade de trabalho em nossa saúde física e principalmente, na saúde mental.
Sempre quando falo de saúde, me sinto na obrigação de ressaltar que saúde mental vai além da ausência de doenças mentais, que também está relacionada à forma como as pessoas reagem às exigências da vida e ao modo como harmoniza seus desejos, capacidades, ambições, ideias e emoções. Pessoas mentalmente saudáveis são capazes de enfrentar os desafios e as mudanças da vida cotidiana com equilíbrio e sabem procurar ajuda quando têm dificuldade em lidar com conflitos, perturbações, traumas ou transições importantes nos diferentes ciclos da vida. Por isto é tão importante falarmos sobre como a quarentena está nos demandando novas exigências em nossas vidas e as consequências para a nossa saúde mental.
Até aqui, falamos sobre a pandemia, sobre a realidade do trabalho remoto e sobre o que é saúde mental; agora vamos unir estes conceitos e falar sobre o sentimento de FADIGA MENTAL devido ao uso das vídeo conferências.
Fadiga mental em reuniões remotas
Um dos apps mais utilizados ultimamente nos ambientes corporativos para realizar reuniões e treinamentos está sendo o Microsoft Teams que, apesar ter sido lançado em 2017, a sua popularização chegou ao auge agora no do ano de 2020 justamente devido a necessidade de adaptarmos a nossa forma de comunicação e interação social.
Agora, você sabia que existe um Laboratório de Fatores Humanos dentro da Microsoft e, que este ano, os pesquisadores deste núcleo estão estudando a fundo os impactos das vídeo conferências e uso de telas em nosso cérebro? A pesquisa realizada pela Microsoft foi desenvolvida a partir do seguinte questionamento: as reuniões remotas de trabalho e vídeo sobrecarregam nosso cérebro mais do que o trabalho pessoal? E a resposta que eles encontram foi: SIM! Portanto pessoal, a fadiga da reunião remota é REAL!
A pesquisa ainda sugere que o sentimento de fadiga ocorre após 30-a 40 minutos de uma reunião remota, isto ocorre devido:
- aos altos níveis de concentração sustentada continuamente na tela para extrair informações importantes,
- manter-se engajado durante a reunião,
- redução da análise de mensagens não verbais que ajudam a ler a sala ou entender de quem é a vez de falar,
- e o fato de compartilhar a tela com pouca visão das pessoas com quem você precisa interagir
Conseguiu entender o que vídeo conferência tem a ver com saúde mental? Devido ao isolamento social, estamos usando recursos digitais que, até o presente momento, foram pouco estudados e que, agora, conseguimos entender os reais impactos do uso prolongado de telas e de vídeo conferências em nossa saúde mental. A fadiga mental pode ser caracterizada pela alteração do sistema nervoso central que ocorre em função do excesso de responsabilidades e tensões acumuladas que provocam um desgaste metabólico e mental muito grande. O cansaço mental pode ser tamanho que a pessoa pode até chegar a sentir dor física.
Portanto, a equipe de pesquisadores da Microsoft recomenda a limitar as vídeo conferências a 30 minutos e realizar intervalos regulares a cada duas horas justamente para permitir que o seu cérebro se “recarregue” dos altos níveis de concentração que geraram o stress e a fadiga. Ainda, os pesquisadores sugerem que, se não for possível manter as reuniões neste período, que tente conciliar longas reuniões com pequenos intervalos. Caso a fadiga mental não seja tratada adequadamente pode se manifestar com outras doenças como: falha de memória, insônia, irritabilidade, desânimo, tristeza profunda e angústia
E aonde que entra o psicólogo e a psicoterapia neste contexto? O psicólogo é o profissional responsável e apto a realizar o atendimento de psicoterapia. Todo o processo de psicoterapia envolve o autoconhecimento visando com que o consultante se reconecte consigo mesmo para entender quais são as suas necessidades que não estão sendo atendidas e que hoje podem este te causando alguma dor ou desconforto.
Vamos lembrar que ter saúde mental é:
- · Estar bem consigo mesmo e com os outros
- · Aceitar as exigências da vida
- · Saber lidar com as boas emoções e com aquelas desagradáveis, que fazem parte da vida
- · Reconhecer seus limites e buscar ajuda quando necessário
E lembre-se: todas as pessoas podem apresentar sinais de sofrimento psíquico em alguma fase da vida. Procure um psicólogo!

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