Do que você mais precisa hoje?

Mil coisas acontecem todos os dias dentro e fora de nós. Em um dia planos cotidianos mudam e experimentamos mil situações nos lugares que freqüentamos. Quando falamos de mudanças internas, tocamos em coisas que podem ser ainda mais intensas. O filho reclama e você fica nervoso, você vê a conta bancária e dá um frio na barriga, recebe uma mensagem de um amigo e sente saudade e alegria, tem uma conquista no trabalho e fica orgulhoso de si mesmo, tudo em poucos minutos.

Não é raro você perceber quantos sentimentos e estados de humor estiveram presentes no seu dia. Pode acontecer de um pensamento de um segundo te deixar diferente por horas, pela semana ou a vida toda. Estamos imersos em um caldeirão de energia que não para e que nos afeta de algum jeito o tempo todo, às vezes mais, às vezes menos, mas que está sempre em movimento.

Mas e aí, diante de tanta coisa acontecendo por dentro e por fora, qual a sua maior necessidade hoje? De que você precisa? Difícil responder? Pode ser um dilema escolher uma, podem existir várias ao mesmo tempo, mas costuma ter uma que te cutuca mais. Deve ter aquela pedra no sapato que está te fazendo sangrar mais do que as outras. Quando essa necessidade não é identificada e não há uma busca de satisfazê-la, é como se algo ficasse em aberto; mal resolvido e sugando sua energia como um parasita.

É possível que você nem esteja querendo muito olhar pra essa pedrinha, pode parecer difícil, doloroso ou desconfortável. Ela pode ser a relação com seu marido/esposa que anda meio diferente há algum tempo, pode ser um incômodo com seu corpo ou até a louça que está na pia e que não te deixa concentrar.

Há momentos em que não é tão simples perceber que necessidade é essa que te afeta. Pode acontecer do processo de descoberta tornar-se uma jornada e de você precisar de ajuda nela, e tudo bem. Às vezes é difícil dar nome para alguns fantasmas.

Mesmo que você perceba que agora não é possível satisfazer essa necessidade por completo, isso só acontece depois de você parar, olhar-se na situação atual e perceber as sensações que te tocam. Elas são termômetros poderosos e ajudam a entender qual buraco suga mais sua energia. A consciência disso já traz algum nível de clareza e luz para os próximos passos.

“Minha cabeça dói, estou desconcentrado, indisposto, tudo está ruim. Ah sim, estou com sono!”. “Estou agitada, não consigo me aquietar, minha cabeça não pára, sinto um aperto no peito. Ah sim, estou ansiosa por aquele resultado que sai essa semana.” Sair de uma situação de sensações difusas e desconfortáveis, de uma coisa ruim generalizada e identificar uma necessidade que grita mais alto já dá certo alívio. Encontrar um nome para nossos fantasmas é o começo de uma jornada rumo à compreensão de como o calo aperta e como lidar com isso.

Para se ajustar da melhor forma e encontrar algum equilíbrio é preciso ter consciência das próprias necessidades. É como um tapete que está cheio de poeira por baixo, você está espirrando e não faz ideia do por quê. A poeira está lá, te incomodando, mas você não vê. Enquanto você não levantar o tapete e enfrentar a sujeira que está escondida (mesmo regado a séries de espirros), a alergia não vai melhorar. Necessidades não satisfeitas agem sobre você mesmo sem que você perceba.

Por isso, tenha sempre em mente a pergunta “Do que eu mais preciso no momento?”

Rafaela Teixeira

Psicóloga – CRP 09/9279


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