Após anos atendendo em consultório, por circunstâncias pessoais, em 2018, passei a atender online. Era uma experiência nova para mim e para meus pacientes e também um desafio continuar o processo psicoterapêutico em um espaço agora virtual e fora da sala onde esse encontro era possível. Agora meus pacientes também deveriam encontrar um lugar apropriado para darmos seguimento às sessões.
Surgiram daí algumas dúvidas: Que lugar escolheria para ser meu consultório online? E meus pacientes, deveriam fazer a sessão somente de casa? Em que plataforma faria os atendimentos? Como faríamos para manter a privacidade e o sigilo?
A experiência me trouxe algumas respostas que gostaria de compartilhar com você.
O espaço terapêutico
O espaço físico de um consultório de psicologia tem sua relevância, é pensado e preparado para que a pessoa se sinta acolhida, à vontade e segura para dizer as suas questões pessoais, seus conflitos, suas reflexões. É uma sala preparada para ter o mínimo de interrupções, um ambiente silencioso e com o máximo de privacidade.
No atendimento online a relação terapeuta/paciente não tem essa sala como pano de fundo e sim a tela do computador. Mas existem algumas adaptações simples que fazem a diferença e contribuem significativamente para um bom atendimento online. Saiba quais são:
A sala de espera
A sala de espera é um lugar de preparação, é como um pré-atendimento. É quando o paciente para, faz uma pausa antes de iniciar a falar de si.
Sair de uma atividade e entrar imediatamente na sala virtual da sessão de psicoterapia, elimina esse tempo entre a ação e a reflexão. Parar um pouco antes do horário da sessão e se preparar colocando os fones de ouvido e entrando na plataforma é uma forma de criar sua própria sala de espera.
O espaço por trás da tela
Escolha um espaço a portas fechadas ou um ambiente em que esteja sozinha/o. É importante que você e o psicoterapeuta digam onde estão. Saber o lugar escolhido por ele te dará segurança a respeito da privacidade da sessão.
O fato dele estar sempre no mesmo local, com raras exceções, oferece a ideia de permanência, de um lugar conhecido, de saber o que vai encontrar.
Onde posso fazer minha sessão de terapia on-line?
O lugar para realizar a sessão não se limita à sua própria casa mas é importante manter a regra de estar sozinha/o no ambiente escolhido. Caso a sua casa seja pequena e não tenha isolamento suficiente, pode buscar alternativas, tente pensar em outros espaços que tenham essa privacidade. afinal, é só 1 hora na semana.
Privacidade
Os fones de ouvido, assim como as portas acústicas de um consultório, oferecem a privacidade e a garantia de que você e o psicoterapeuta estejam ouvindo o que é falado na sessão. É importante que os dois utilizem.
Regularidade das sessões
Manter um horário fixo semanal como se faz no atendimento presencial e tentar respeitá-lo o máximo possível, é importante para garantir a regularidade e a constância que contribuem para o andamento do processo psicoterapêutico.
A ausência do espaço físico e o fato de não ter o deslocamento para a sessão podem dar a ideia de uma flexibilidade excessiva, que, ao invés de ajudar, prejudica, pois dá a impressão de ausência de compromisso.
Agenda móvel, mas nem tanto
No atendimento à distância e sem a presença física, o horário marcado é mais frágil e fácil de ser desmarcado. Não deixe a flexibilidade te atrapalhar, esse é um horário que reservou a si mesma/o, uma oportunidade para fazer uma pausa e falar em voz alta aquilo que está te incomodando a alguém que está lá para te escutar.
Encontre junto ao psicólogo um horário possível de ser cumprido.
A comunicação online
Problemas na conexão online podem ocorrer mais facilmente do que interferências na sala do consultório. Sinalize caso não esteja escutando. Encontrar uma plataforma que ofereça o mínimo de problemas é fundamental.
“Home Clinic”
O “consultório em casa” traz uma flexibilidade de horários e novas possibilidades de atendimento que não seriam possíveis presencialmente. A psicoterapia online abriu espaço para aqueles que estão fora do país e preferem um profissional que “fale a sua língua”, para outros que não conseguem se deslocar pelos mais variados motivos, e agora, durante a Pandemia de COVID-19, passou a ser regra.
Realizar dentro de casa um trabalho que normalmente é feito num local dedicado a isso, não é tarefa fácil, mas possível!
Para mim, o fato de trabalhar em casa exigiu mais disciplina e organização. Aos poucos fui criando e preparando um espaço só para esse fim. Passada a fase de adaptação e ajustes, foi possível colher os frutos de ter mantido os pacientes, de abrir possibilidade para novos atendimentos e de estar passando pelo desafio desse novo modo de atendimento.

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