Como estudar em casa

Como estudar em casa

Estudar em casa é um sonho, um desafio, um alívio. É economia de tempo e dinheiro com deslocamento. Estudar em casa é também liberdade, não se prender aos horários dos outros, é fazer pausas de acordo com a própria vontade e com o próprio ritmo. Estudar em casa é ser senhor de si nesta área da vida. Porém em casa há muitas outras atividades que não as acadêmicas. Assim como trabalhar em casa, estudar em casa envolve a necessidade de uma clara divisão entre os momentos. O lazer não pode se misturar com o dever. E os deveres domésticos não podem ser confundidos com os deveres profissionais nem acadêmicos.

Por que estudar em casa pode ser complicado?

Estudar em casa pode ser um problema por inúmeros fatores, a saber principalmente conseguir o silêncio necessário à concentração, a diminuição das distrações como celular, TV, objetos pessoais, bagunças, e pessoas que interrompem. Isso sem contar fatores externos para quem acaba sendo incomodado por vizinhos, vendedores, síndico ou visitas inesperadas. No fim pode parecer muito mais fácil deixar tudo isso para trás, mudar de ambiente, para bem longe, e não ter nem que se preocupar com todos esses estorvos. Estudar em uma escola ou universidade, ou mesmo na biblioteca é o refúgio de muita gente, mesmo que não seja um local que se tem necessidade de frequentar, muitos optam por “fugirem” para esses locais.

Estudar, assim como todo o resto, também é atravessado pela questão do desejo. Os estudos serão mais interessantes se estiverem de acordo com o desejo, com as vontades e aspirações do indivíduo. Não dá pra querer estudar algo incompreensível ou muito incongruente com a própria realidade. O real do desejo está aí pra nos mostrar que não há disciplina nem auto vigilância que leve um indivíduo a se satisfazer fazendo algo que não gosta. É possível se colocar a fazer muitas coisas detestáveis, só não é possível ser feliz fazendo isso.

A questão do desejo

O desejo passa por tudo que se faz ou deixa de fazer, o desejo é aquilo que não dá pra falar sobre, não dá pra por me palavras. É muito comprometedor dizer “eu quero X” sendo que quando tivermos “X” ainda assim poderemos estar infelizes, e no mínimo estaremos insatisfeitos após algum tempo. Não há algo que se possa dizer que vá satisfazer o desejo. Os estudos dificilmente são parte do próprio desejo, os estudos muitas vezes são vistos somente como um caminho, árduo e até indesejável, que se deve segui para conquistar aquilo que de fato é o desejo. Em outras palavras, quando se estuda para passar num concurso ou para ir bem numa prova o estudo é penoso, mas quando se estuda porque gosta do ato de estudar, aí sim o estudo é prazeroso por si só.

É essa a questão do desejo, se eu estudo somente para conseguir algo com isso não tenho prazer no estudar. Talvez a maioria das pessoas estude somente porque o estudo representa uma promessa de felicidade, passando num vestibular, se formando num curso ou entrando num certo emprego. Sendo a maioria ou não, quem se motiva somente pelo resultado buscado tem uma busca penosa, e só quem gosta e aprecia a busca (independente do resultado) se sente feliz por estar na empreitada em que se encontra. Não preciso dizer então que muitos estudam determinado assunto porque não conseguem se ver sem estudar aquilo, enquanto outros estudam pura e simplesmente para conseguir algo, para então poder parar de estudar.

Para quem precisou contornar uma enorme gama de situações para então conseguir se impor o dever e o hábito de estudar, agora ter de mudar essa rotina, como acontece nessa pandemia e nesse isolamento social, manter o hábito de se obrigar a uma atividade um tanto penosa é bem desafiador. Para quem só conseguia antes estudar em um lugar específico e preparado tão somente para isso, como é uma escola, universidade ou biblioteca, agora ter de continuar fazendo o mesmo, mas em casa, num ambiente que foi preparado para ver TV ou para dormir, pode parecer uma tarefa impossível.

Assim podemos dizer que algumas pessoas, as que são muito estudiosas e os ávidos leitores têm mais facilidade, ou mesmo que têm um dom, o dom do conhecimento e da compreensão talvez. Na verdade são pessoas comuns, como eu e você, mas pessoas comuns que encontraram aquilo que gostam de fazer, e que fazem sem problemas, que conseguem fazer sem ter uma promessa de algo maior no futuro. São pessoas que não estão estudando para um dia pararem de estudar. Isso é muito análogo à situação de pessoas que trabalham para se aposentar bem, em outras palavras, trabalham para não precisar trabalhar mais. É a vida triste, em que muitos sacrificam o hoje diversas vezes pela promessa de um amanhã, que se vier, talvez nem seja tão gratificante assim, afinal, é um amanhã que terá um triste passado.


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