As pessoas que fazem uso prejudicial de drogas sofrem constantemente com os efeitos nocivos geradores de consequências, como: perda da autoestima, restrição das interações sociais e perspectivas limitadas em relação a vida. Dessa forma, convivem com estereótipos negativos, preconceitos e discriminação. É importante compreender que o estigma existe em um círculo vicioso que encoraja o preconceito e a discriminação e faz com que sejam vistas como únicas responsáveis por sua condição.
O trabalho de redução de danos no vício das drogas
O trabalho da Psicologia relacionado a pessoas que fazem uso prejudicial de álcool e outras drogas pode utilizar a perspectiva da redução de danos. Então, torna-se pertinente desenvolver formas de cuidado onde os sujeitos possam encontrar modos de viver de maneira mais plena. Isso conduz a planos e projetos de vida como prioridade, o que implicaria em se voltar mais para questões subjetivas e fugir dos conhecidos rótulos e preconceitos tão estabelecidos sobre as pessoas que fazem uso de drogas. A abordagem de redução de danos contribui com uma outra maneira de olhar a prática de saúde mental, atentando para a consideração e valorização da autonomia dos sujeitos.
Dessa forma, é importante considerar que as drogas sempre existiram em várias culturas, em diferentes tempos e espaços. Assim, sejam elas lícitas ou ilícitas, fazem parte deste mundo. Dessa forma, não podemos esquecer que elas proporcionam prazer aos indivíduos. Nessas circunstâncias, compreende-se o processo terapêutico como possibilidade de cada pessoa conhecer-se e potencializar-se em um caminho de autoconhecimento. Ele busca minimizar os efeitos danosos do uso de drogas, e não simplesmente enxergar os indivíduos de forma passiva.
A prática da redução de danos
Os projetos de vida estão intimamente ligados a temas como autoconhecimento e sonhos. Assim, é possível explorar elementos como características pessoais, potencialidades, limitações, valores, escolhas, demandas interiores e exteriores, que compõe a história subjetiva de cada um.
Ao falarmos sobre reduzir danos, estamos colocando como questão o sentido de constituir condições e possibilidades de escuta das diferentes formas de viver. Com um compromisso com o reconhecimento do outro, na atitude de acolhê-lo, o que necessita de empatia. Desdobrando-se a partir do interesse legítimo e ativo pela diferença que acontece nas relações humanas, visando auxiliar o sujeito no cuidado das consequências de seus comportamentos, sem jamais rotulá-lo.
Conforme Ayres (2009), para cuidar há que se considerar e construir projetos. Sustentar ao longo do tempo uma certa relação entre o sujeito e sua presença no mundo. Saber qual é o projeto de felicidade que está ali em questão trata-se de uma tarefa fundamental no enfrentamento do uso nocivo de substâncias como álcool e outras drogas.
O enfrentamento ao vício de drogas
Dessa maneira, não se pode desconsiderar que um dos maiores desafios no cuidado às pessoas que apresentam esses problemas está em fazer com que se ampliem os horizontes. Muitas vezes restritos a fórmulas prontas de vida, com frequência se mostram sem sentido para muitos. Assim produzem discursos vazios que acabam formando uma barreira para a possibilidade de entrar em contato com os próprios desejos, obscurecidos por discursos do senso comum.
Através da psicoterapia busca-se a construção de projetos de vida que remetem a um plano de ação que o individuo se propõe a realizar, em relação a alguma esfera de sua vida, seja ela profissional, intelectual, afetiva em um arco temporal mais ou menos variável. Tais elaborações dependem sempre de um campo de possibilidades no qual cada sujeito se encontra inserido e que circunscreve suas experiências.
Referências
AYRES, José Ricardo de Carvalho Mesquita. O cuidado, os modos de ser (do) humano e as práticas de saúde. Saude soc., São Paulo , v. 13, n. 3, p. 16-29, Dec. 2004 .
MINISTÉRIO DA SAÚDE. Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde. Caminhos do Cuidado: caderno do tutor. Formação em saúde mental (crack, álcool e outras drogas) para agentes comunitários de saúde e auxiliares/técnicos em enfermagem da Atenção Básica. Brasília, 2013.

Deixe um comentário