Vamos começar compreendendo ansiedade através do conceito de passado, presente e futuro. Tempo: interno e externo. Vamos refletir. O passado no tempo externo não pode retornar. E no tempo interno? Com certeza, todos nós sabemos que ele retorna sempre e nos acompanha a todo momento, não é verdade? Quando salvamos em nossa mente fatos positivos, criamos memórias agradáveis, quando salvamos fatos negativos salvamos o oposto: memórias desagradáveis. Memórias se misturam com o instante, ou seja, com o presente e vai se reconstruindo e construindo ao mesmo tempo tanto o nosso mundo interno quanto o mundo externo num interminável fluir. Tudo conectado em uma rede de possibilidades, incertezas, encontros e acasos. Nada mais concreto e real do nosso existir. Lidar com as incertezas e com aquilo que é desconhecido nem sempre é fácil: futuro.
E nessa integração dos tempos, memórias, instantes e desconhecido: caminhamos, caímos, superamos obstáculos, aprendemos, ensinamos, sofremos, sorrimos, decidimos. E nesse trajeto, vamos sendo obrigados a escolher um caminho e perder os demais. Durante esse processo de escolhas, perderemos o sono, ficaremos estressados, o medo aparecerá e as dúvidas não nos deixarão. Faremos o certo? E se fizermos diferente? A imaginação construirá cenários complicados nos quais a mente criará os nossos próprios universos. Pronto, estamos de frente para a tão famosa ansiedade! Futuro. Mas será que ela deve ser vista de forma isolada? Com certeza, não.
O que acompanha a ansiedade?
O que será então que a acompanha? Os registros do passado que já se fizeram presentes no medo de errar e de se sentir culpado. Ou no medo da espera de algo que está fora do controle de nossas mãos, quem sabe? Em ambos os casos o retorno, o “eterno retorno” ligado ao futuro. E nesse momento, aquilo que estava adormecido, desperta com toda força. Medo! Dificuldade em decidir, de enfrentar uma imprevisível consequência desagradável proveniente dessa escolha! Resultado: ansiedade até a escolha ser feita e após a decisão, se o objetivo almejado não foi alcançado, questionamos: fizemos o certo? E se tivéssemos escolhido a outra opção? Concluímos: erramos. Culpa. De volta ao passado. Tempos integrados no instante, no presente. Escolher e o resultado da escolha. Ansiedade e culpa caminhando juntas. Mas aqui cabe um nova reflexão: será que poderíamos agir de forma diferente da que agimos num determinado momento? A nossa resposta pode ser uma nova pergunta: se estamos construídos de uma forma, no momento de uma situação, será que fizemos o que foi possível com as ferramentas que possuíamos? Será que não cabe perguntar: será que podemos aprender alguma coisa com isso que aconteceu? Será que houve erro? Ou será que é o que todos nós precisamos fazer o tempo todo? Ou será que devemos continuar repetindo lamentos, paralisações, medos e fugas que só nos levarão para novas situações de grande ansiedade e retorno a um passado não aceito?
Essa é a nossa trajetória. Fazer escolhas numa rede intrincada de outras escolhas que interagem. Cada universo criado escolhendo continuamente. Interessante, não? Criações. Imagens. Pensamentos. Mentes que podem continuar repetindo dores, medos insensatos e registros não aceitos em ansiedades constantes ou escolhendo o enfrentamento e aceitação das coisas como elas são em um crescimento e desenvolvimento pessoal e universal. Podemos nos recriar a todo instante, para isso basta entendermos nossas imagens criativas e mais, possibilitar novas alternativas, novas imagens. No fundo, essa é a função da mente criar e recriar como a própria natureza.
A beleza da criação! A diversidade no um. Universo. Sem receita. Visão. Que tal apreciarmos com olhar de primeira vez para as coisas que nos cercam. Quanta coisa deixamos passar por nós? Quantas vezes nos fixamos no que nos faz mal? Quantas vezes repetimos esse comportamento e não enxergamos outra saída? Que tal aprendermos a relaxar, deixar fluir o que nos desequilibra, refletir. Quem sabe esse seja o nosso remédio. Fluir, não se afogar nem se debater para respirar. Sabedoria! Inteligência emocional. Modificar o que podemos, aceitar o que não podemos modificar e saber distinguir uma da outra. Vivamos um dia de cada vez! Abertura de qualquer ensinamento! Porque enquanto tudo for confusão e parecer a mesma coisa, teremos muita dificuldade de entender os nossos próprios registros e os gatilhos que nos levam a ansiedade. Mundo interno no mundo externo, mundo externo no mundo interno. União na ilusória separação é a chave para o início do nosso próprio conhecimento.
Claudia Brandão Lobato Cunha

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