Aperfeiçoando o autoconhecimento na crise

Durante toda sua vida você deve ter passado por alguns momentos em que se sentiu perdido, desamparado, tendo seus limites testados e sua força física ou emocional posta à prova. Em momentos de crise, o autoconhecimento é sempre posto à prova.

Esses momentos se dão quando você não sabe se irá conseguir passar por algumas coisas, se irá algum dia superar, ter forças para enfrentar a realidade ou para sobreviver a ela.

A oportunidade do autoconhecimento numa crise

Contudo, foram esses momentos que te trouxeram algum alívio depois da crise, com orgulho de si por ter conseguido enfrentar o que veio, com mais força, resiliência e aprendizado.

E se você está lendo isso hoje, você sobreviveu, seja como for. Invariavelmente, você acabou se conhecendo mais e vendo partes suas que nem conhecia porque estavam adormecidas.

Ou seja, você pode ver quão forte é e o quanto aguenta; pensou em coisas nunca pensadas antes e deu valor a coisas pequenas, que muitas vezes nem ligava e nem sabia que tinha. Você mudou.

Sua consciência sobre si e sobre o mundo ampliou, e é assim que funciona mesmo. Quando tudo sai do lugar, quando perdemos o chão e somos colocados para fora da zona de conforto, perdendo o que tínhamos como certo, nos enxergamos de uma maneira diferente.

É quando então, somos chamados a olhar para a nossa verdade. E enfrentar o que for, porque só há uma saída: contar com nós mesmos. Somos obrigados a dar conta de tudo.

Buscando o autoconhecimento como solução na crise

Contextualizando esse momento atual que vivemos, com a Covid-19, temos a oportunidade de olharmos e refletirmos sobre nossas verdades. É quando encontramos a oportunidade de conhecer mais uns aos outros, mas também de conhecer mais a nós mesmos.

Mas como podemos nos conhecer mais? Nessas horas entramos em contato maior com nossos medos, limitações, habilidades, valores, prioridades, desejos e necessidades reais. Encontramos nossas forças e vulnerabilidades.

Igualmente, entendemos de uma vez por todas o que importa de verdade e do que não abrimos mão. Testamos nossas capacidades de empatia, de colaboração e de pensar no coletivo, e como isso ressoa em cada um de nós.

Somos postos frente a frente com as nossas sombras, querendo ou não. Então, por que não trazer para a consciência tudo isso que estamos passando?

Seria muito bom se conseguíssemos aproveitar esses momentos difíceis da vida – em quarentena ou não – e nos entendêssemos, nos conhecêssemos melhor.

Se aproveitássemos para olhar para as emoções e as reações sem julgamentos, mas entendendo que elas estão ali sinalizando algo que está dentro de nós. Algo que tem ligação com algum pensamento ou crença que temos, e conforme os momentos de crise, vem nos cutucar.  

Reavaliações e aprendizados necessários

Da mesma forma, podemos aproveitar para reavaliar as relações que temos e a importância delas na nossa vida.

Portanto, quem fica, quem pode ir, qual o lugar de cada um para você e qual o seu papel nos relacionamentos. Quem são as pessoas que importam e o que você sente por elas.

Dessa forma, tente aprender com cada relação: o que as pessoas ao seu redor têm a lhe ensinar? O que você tem aprendido estando nessa relação?

Podemos tentar mudar nossa perspectiva e sair da posição da vítimas, que recebem passivamente o que lhes acontece, para a posição de autorresponsáveis, com participação em tudo que nos acomete.

Essa posição nos dá mais poder e capacidade para aprendermos com as dificuldades. Assim tomamos as rédeas da nossa vida e tentamos fazer nossa parte dentro daquilo que controlamos.

Podemos não controlar tudo que nos acontece, mas temos controle sobre o que fazemos com isso e sobre como reagimos a isso.

E é assim que vamos entendendo nossa dinâmica de funcionamento frente aos obstáculos: somos os que enfrentam, os que fogem, os que pedem ajuda, os que se retiram, os que agridem, os que colaboram, os que entram em pânico ou os que mantêm a calma?

Como reagimos diante das diversidades e frustrações, diante do inesperado, do não saber? Do medo e da incerteza? Como agimos diante da nossa “impotência” e da falta de controle?

Praticando o autoconhecimento no cenário de crise

Como é para você lidar com o isolamento, com a exclusão, com a colaboração? Se ver parte do todo e interdependente dos outros? Quais os medos que estão por trás do sentimento de vulnerabilidade que essa crise pode causar?

Surpreendentemente, toda crise é uma ótima oportunidade para aumentar nosso autoconhecimento, para evoluirmos. Com certeza sairemos mais fortes dessa e de todas as que passarmos na vida. A escolha acaba sempre sendo nossa: do que fazer e de como vivenciar isso.

Não se cobre tanto, não se julgue e não se culpe se os seus problemas pessoais parecerem mais importantes do que a crise externa. Seus problema são importantes, porque são seus. E é muito importante que você trabalhe e lide bem com eles, para se fortalecer e aguentar o externo.

Identifique suas vulnerabilidades, acolha-as, aceite-as, abrace-as. Tudo o que você sente faz parte de você, te constitui. Portanto, não negue nem menospreze. Você é único, e é mais forte e mais capaz do que pensa.   

Essa é mais uma oportunidade de crescimento que a vida nos dá. Abrace-a e mergulhe nela. 

Se sentir a necessidade e quiser investigar mais esses sentimentos, se precisar de ajude e/ou apoio para falar mais sobre isso, procure um psicólogo. Nós estamos à disposição para ajudar.


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