Autocompaixão

Autocompaixão: o que é e como desenvolver essa habilidade?

Estamos habituados a exigir muito de nós mesmos, e ao não cumprirmos a expectativa, a autocrítica é uma consequência natural. Mas como desenvolver uma autocompaixão? Esse é o tema deste artigo.

Autocompaixão em compensação à autocrítica

Em algum momento das nossas vidas, aprendemos que devemos exigir muito de nós mesmos, na maioria das vezes, em busca de grandes resultados. Dessa forma, a autocrítica se torna o caminho para o sucesso, mas estudos mostram o contrário,  que ela pode levar à baixa autoestima. Assim, sentimentos de menos valia que podem consequenciar em depressão, ansiedade etc.

“Na autoavaliação, um erro é apenas algo que deve ser corrigido e superado. Na autocrítica, um erro torna-se sinal de falha e fracasso e, ao sentirmos que falhamos, somos tomados pelo sentimento de culpa.” Montone, Monica.

Então, por que aprendemos a exigir demais de nós mesmos, mas não aprendemos a nos perdoar, a termos compaixão com nossos erros e sentimentos? A autoexigência é um padrão de comportamento aprendido e transmitido socialmente, de geração em geração, como uma prática cultural, assim como outros comportamentos.

Entendendo a autocompaixão

Você já ouviu falar em autocompaixão? É comum, mesmo com anos de vivência e experiência, você não ter entrado em contato com a autocompaixão ou ao menos ouvido falar sobre a importância dessa prática em nossas vidas.

Ao não cultivar a autocompaixão, nos tornamos rígidos, e mostramos dificuldades em aceitar nossos erros e nos culpamos. Logo a busca pela perfeição se torna árdua e o desapontamento conosco real.

Apesar de nos depararmos com essa realidade que está presente na vida de muitas pessoas, tenho uma boa notícia: a autocompaixão é um comportamento que pode ser aprendido. Ela, nada mais é do que a capacidade de tratar a si mesmo com gentileza.

Mas como entender e praticá-la? Ser bondoso consigo significa que você quer se confortar quando está sofrendo. Ou seja, quer aliviar seu sentimento, se acalmar. É uma postura ativa, ao ser bondoso, pois você está se comportando de maneira a “quero fazer tudo que eu puder para sentir-me o melhor possível nesse momento”.

Lidando com os altos e baixos da vida

É importante entendermos a nossa existência dentro da sociedade. Ok, e o que isso quer dizer? Se eu perguntar se você é um ser humano, a resposta seria rápida e precisa “sim, lógico que sou um ser humano”, e os outros, são seres humanos? A resposta continuaria a mesma.

Todo mundo sofre? Sim… Isso é lógico e você responderia “sim” para todas as perguntas, mas no momento em que você faz algo de errado no seu trabalho, ou no momento em que você foi rejeitado ou algo ruim aconteceu, automaticamente nos tornamos autocentrados e nos questionamos, “por que eu? Por qual razão isso aconteceu comigo?”

Assim, automaticamente nos sentimos a parte da sociedade, separados dos outros. Ao pensarmos que essas situações são anormais, a resposta é “não”. A vida é assim, as coisas dão errado mesmo!

Existe um problema quando pensamos que essas situações só acontecem em nossas vidas. Ao pensar que estamos sozinhos, isolados, não nos sentiremos seguros. Nesse momento você precisa estar consciente do seu sofrimento, oferecer compaixão e pensar “a dor está acontecendo, será que sou capaz de senti-la?”. Você precisa fazer isso para dar o cuidado e apoio que precisa.

Talvez você pense, “preciso mesmo fazer isso? Até quando o sofrimento é nítido e gritante?”. A resposta é sim, a dor é causada pelo autojulgamento, e essa é uma das piores dores que podem ser sentidas. Ela é constante, persistente, e muitos pensamentos passam pela cabeça, como: “não sou boa o suficiente”; “não sou esperta o suficiente”; “eu estraguei tudo”. Nesse momento ficamos tão presos no papel de julgadores, que não é perceptível o quanto isso machuca.

Desenvolvendo sua autocompaixão

Como aumentar a autocompaixão? Essa habilidade pode ser desenvolvida a partir das práticas, exercícios e psicoterapia. Experiencie olhar com a sua autocrítica direcionada a um amigo, pense se as palavras são duras para alguém que é querido e você quer bem, se forem duras para o outro, serão duras para você também…

Proponho um exercício para te ajudar na prática de autocompaixão, sinta-se à vontade para fazê-lo ou não. O objetivo desse exercício é aumentar sua consciência sobre você mesmo. Escreva! Escrever nos ajuda no processo de tomar consciência.

Faça uma carta, sem medo de julgamento. Nela, registre o que está sentindo, coloque no papel suas imperfeições, seus medos, os obstáculos que você geralmente encontra no caminho, o tamanho desses obstáculos e como você se sente ao não conseguir ultrapassá-los.

Não se culpe pelas vezes que não teve êxito, se perdoe por isso. Quando tomamos consciência do que sentimos, mudamos a forma como nos autocriticamos e então encontramos caminho para desenvolver autocompaixão.


Comentários

2 respostas para “Autocompaixão: o que é e como desenvolver essa habilidade?”

  1. Avatar de Victor Moro Rios
    Victor Moro Rios

    Parabéns pelo texto, muito bem escrito e de grande importância! Ótimo conteúdo

  2. Avatar de Giovana Villas Boas Corazza
    Giovana Villas Boas Corazza

    Artigo muito bom! Devemos praticar a autocompaixão… amei.

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