Conflitos Amorosos

Conflitos Amorosos

Tudo na vida tem um início. Os relacionamentos não são diferentes. No começo, os pares querem agradar um ao outro. As diferenças de interesses e objetivos não são vistos. Um véu cobre aquilo que em outro momento incomodaria. As qualidades são amplamente notadas, como humor, encanto, charme, personalidade… A postura egocêntrica se dissolve. As preocupações e as identidades parecem se unir. Ambos se comportam dessa forma por livre e espontânea vontade, por um certo período, esquecendo de suas necessidades individuais.  

Com o passar do tempo, dar prioridade de agradar o outro pode se transformar em um peso. O véu começa a cair e as diferenças de percepções de uma mesma situação são expostas. Essas oposições de pontos de vista ficam mais acentuadas e as discordâncias aumentam. Nesse momento a imagem do outro começa a mudar. O conflito se estabelece. Qual visão prevalecerá? Uma mistura de intolerância e egoísmo leva a intermináveis discussões. Cada um afirma estar certo e o outro completamente errado. As classificações de infantil, bobo, autoritário, mimado… surgem. O que havia juntado o casal inicialmente parece se dissolver em águas turbulentas. Nem um nem outro enxerga mais as águas calmas. Onde elas foram parar? 

Cada um interpreta de um jeito

A resposta pode estar no entendimento de que cada um tem o seu próprio dicionário. Sabe o que isso quer dizer? Quer dizer que cada situação será interpretada de acordo com esse dicionário. E como dissemos antes, diferentes. Impasse? Não, solução. Vamos explicar através de um exemplo: Para X ganhar flores era sinônimo de atenção, romantismo e de que ela era uma pessoa especial para Y. Já para Y dar flores era sinônimo de uma grande bobagem, significava jogar dinheiro fora. Resultado: quando X não recebia as tão desejadas flores reclamava com Y que achava que X era muito boba e X achava que Y não a amava.  Nesse momento a discussão surgia e o entendimento nunca acontecia. Para que essa briga desnecessária não ocorresse, bastava que ambos tivessem conhecimento da existência desses dois dicionários. E a partir daí, compreendessem o significado de cada um deles, tornando-se mais flexíveis e corrigindo as próprias interpretações em relação ao parceiro. Se isso começasse a ser uma regra entre os dois, ou seja, a criação de um único dicionário entre o casal, expectativas rígidas, e rotulações inadequadas não interfeririam mais nessa comunicação. E consequentemente, o entendimento seria mais fácil de acontecer evitando os choques de símbolos e as avaliações de natureza moral. A raiva cederia espaço para a inteligência emocional que resolveria o possível desentendimento estabelecendo a clareza obscurecida. As águas calmas não chegariam a turbulência.

Fácil? Nem sempre. Mas se você se encontra nessa situação de brigas constantes que parecem insolúveis, procure ajuda. Se você deseja que seu relacionamento seja construído a partir de bases sólidas, entendimento e companheirismo saiba que existem muitas ferramentas interessantes e eficazes tanto para o autoconhecimento quanto do seu parceiro. Nossa mente é uma grande caixa de surpresas e nossos pensamentos, sentimentos e comportamentos podem ser construídos a cada instante. Sendo assim, construir algo para o nosso bem estar é bem mais inteligente do que permanecer repetindo os mesmos erros e sentindo que somos inadequados que não temos sorte no amor ou que só escolhemos parceiros inadequados. Aí perguntamos: como podemos ter a tão falada sorte, se não entendemos os caminhos básicos? Se continuamos sempre a exigir sem entender, a fugir por medo de sofrer. Complicado, não?

Isso só dependerá de você. Facilitar seu caminho ou permanecer se afogando na turbulência das águas é e continuará sempre em suas mãos. Só nas suas. Não culpe o mundo externo, não culpe o outro. Essa é a reação comportamental mais comum: atacar o outro. Pense, sinta e se comporte de acordo com os fatos e não de acordo com suas interpretações, muitas vezes, incompletas ou distorcidas. Trace metas, cuide de você, restabeleça o foco, se entenda primeiro para ter condição de tentar entender quem está com você.  Ganhe recursos, adquira ferramentas, comece, ache o início do nó. Basta encontramos o fio. Uma vez encontrado, nosso labirinto se transformará em saídas rápidas e seguras. Todos nós estamos navegando nas mesmas águas e temos condições de nos banhar em águas límpidas, calmas e cristalinas. Como disse Heráclito: nenhum ser humano pode banhar-se da mesma forma duas vezes no mesmo rio. Primeiro porque o ser humano não será o mesmo nem mesmo o rio.

 

Claudia Brandão Lobato Cunha


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