A ANSIEDADE NOS DIAS ATUAIS

A ansiedade nos dias atuais

Vivemos em uma realidade marcada por alguns fatores que causam reflexo no nosso estado emocional, principalmente na ansiedade. Essa sentimento não é necessariamente de todo ruim. Ele é quem nos impulsiona, faz com que nos preparemos para o enfrentamento das situações. No entanto, em grande quantidade esse sentimento pode ser incapacitante e acabar por nos trazer sofrimento, o que tem sido muito comum. Algumas características da nossa rotina favorecem esse tipo de adoecimento. E algumas estratégias podem ser utilizadas para diminuir o nível de ansiedade sentido.

Nos dias de hoje experienciamos uma a sociedade foi impelida a ser competitiva de um modo que nunca fora antes. Nossa rotina é muito acelerada. A presença diária da internet em nossas vidas nos proporciona isso. Também a exposição da vida das pessoas nas redes sociais é uma fato comum. A corrida pelo sucesso seja profissional ou na vida pessoal é muito forte e glamourizada. E para completar há toda a questão do consumo e a pressão das mídias.

O resultado disto é que sofrimentos causados pela ansiedade estão cada vez mais corriqueiros. Uma característica básica da experiência da ansiedade são os pensamentos voltados para o futuro, a expectativa sobre o que ainda está por vir. E temos muitas expectativas e pressão, seja gerada por nos mesmos ou pelos outros.

Além desta expectativa, e da própria sensação corporal da ansiedade, outros traços são comuns de aparecerem no sofrimento por ansiedade: uma alta cobrança de si mesmo, necessidade de controle, o sentimento de culpa e responsabilização por situações que estão além do controle, necessidade de manter-se sempre ocupado e insônia.

Precisamos ser sempre os melhores?

A grande competição em que nos vemos imersos nos exige e nos condiciona para que precisemos ser sempre os melhores em cada área de nossas vidas. Isso muitas vezes cria uma necessidade insaciável por termos sempre mais. O resultado disto é que acabamos muito tempo olhando para o futuro e para o que ainda não conquistamos, trazendo consigo a ansiedade.

A exposição nas redes sociais e a pressão das mídias para o consumo também cria outra expectativa sobre como deveríamos ser. Não é incomum, principalmente entre as mulheres, a avaliação de si mesmos através da comparação com os outros ou com esses modelos ideias que nos são vendidos. Isso resulta em uma sensação de inferioridade, de incapacidade e culpa. Trazendo consigo também esta energia em potencial que é a ansiedade, mas por muitas das vezes ela aparece em uma intensidade tão grande, que ao em vez de impulsionar o indivíduo para mudança, ela nos paralisa, nos tira o sono. Quantas pessoas repassam na cabeça os “erros” do dia ou todas as metas que pretende atingir no momento em que se acalma e se preparam para dormir? E isso pode culminar em algum dos vários transtornos de ansiedade.

Olhar para o futuro, mas com calma

O olhar muito focado no futuro, a sensação de culpa, e principalmente esses modelos de: o que precisamos e o que deveríamos ser acabam por nos levar a uma necessidade de controle. O imprevisível para alguém que sofre de ansiedade é gerador de muito sofrimento. Isso nos faz gastar muito tempo e energia emocional em suposições e hipóteses que muitas das vezes nem acontecerão. Isto torna a ação por mudança mais difícil. E a falta de ação por vezes gera um ciclo que se auto alimenta. “Eu preciso fazer, mas não consigo fazer”.

Necessidade de controle, cobranças excessivas em situações em que por vezes nem são nossa responsabilidade podem acabar vir bater à porta no momento em que paramos, seja quando vamos dormir, nos mantendo despertos, seja em momentos de lazer. Descansar é difícil pois traz à tona todas as nossas inquietudes. Levando a um esgotamento físico e mental, agravando ainda mais o sofrimento.

Por isto alguns passos para ajudar a reduzir o nível da ansiedade são importantes. Diminuir o quantidade de tempo gasto em pensamentos no futuro. Ajuda tentar trazer os objetivos e metas mais próximos no tempo, isso diminui a expectativa. Partilhar esses objetivos em passos menores, mais palpáveis e próximos no tempo. O que eu posso fazer hoje para estar onde eu quero amanhã? Se há algo pequeno que possa ser feito é possível ser feito. E se não há saída ou ação possível nos resta aprender a lidar com a espera sem gastar tanta energia e pensamentos sobre fatores que não estão sob nosso controle. É preciso exercitar também o “delegar”. Não é incomum que a pessoa passando por um momento ansioso queira assumir responsabilidades que não são suas. Criar expectativa sobre o que as outras pessoas deveriam falar, fazer e querer contornar isso com próprias ações ou com a sensação de culpa. Nos sobrecarregando de ações que não nos cabem e de expectativas que não dependem de nós. Mas principalmente é importante repensar os “precisos e deveríamos” de nossas vidas e substituí-los por: o que eu quero, o que me faz bem.

 

Não há mudança que ocorre do dia para noite, mas exercitar a espera, lidar com as expectativas de uma maneira diferente e tentar focar o olhar sobre o hoje nos ajuda a vivermos com menos ansiedade.


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