Ainda considerado como tabu para a comunidade masculina e para os profissionais de saúde mental e física, a disfunção erétil é pouco conhecida, mesmo sendo a causa de danos consideráveis para a vida das pessoas. Pode ser definida como a incapacidade em obter e manter a ereção peniana suficiente para uma relação sexual satisfatória.
O problema pode ser de origem orgânica ou psicológica, mas aqui, trataremos a questão a partir do viés psicológico. A termologia remete-nos a um funcionamento “anormal” para manter o pênis ereto, e os motivos são os mais diversos. Por isso neste texto desejamos esclarecer e propiciar um diálogo mais aberto sobre este assunto.
Disfunção erétil de causa emocional
O estresse emocional, caracterizado pelo conjunto de experiências negativas que se traduz em intolerância é um dos fatores que se transformam em incapacidade de manter a ereção peniana. Em geral, o estresse quase sempre é impercebível e atinge a vida sexual do indivíduo gradualmente, ao passo em que os eventos estressores aumentam.
Em alguns casos o estresse é tão insuportável que é ativado um mecanismo de defesa e o evento é apagado da memória da pessoa, incapacitando-a de compreender tal evento. Nestes casos a psicoterapia é muito aconselhável para trazer a lembrança e prover o manejo da pessoa diante de tal acontecimento. Isso implica em abrir uma janela emocional para tratar de um assunto dolorido, mas que pode mudar o desempenho sexual de forma significativa. O estresse pode ser combatido quando desenvolvemos nossa capacidade de falar “sobre”. Logo, a relação dele com a disfunção erétil é tratada quando a pessoa procura falar com um profissional.
Dentre os eventos estressores como pressupostos para a disfunção erétil, cita-se a repressão dos pais na infância, quando tratam a masturbação infantil com censura e repressão. É no período pré-operatório (2 aos 7 anos) que geralmente as crianças começam a sentir prazer no toque das genitais, este é um processo natural em que os pais não precisam se assustar e muito menos reprimir os gestos, apenas orientar para que seja feito em um ambiente adequado.
Reprodução de padrões errôneos
Às vezes há uma dinâmica familiar disfuncional em que os pais tendem a repetir suas experiências infantis com os filhos. São atitudes semelhantes àquelas que seus pais tiveram, e assim, acabam por favorecer um ciclo de experiências negativas.
Este aspecto denota um assunto bem comum, a falta de informação e comunicação entre pais e filhos sobre os aspectos fisiológicos e emocionais que garantam uma vivência saudável da sexualidade. É responsabilidade dos pais facilitar o processo de aprendizagem dos filhos para vida sexual. Entretanto, os próprios pais, às vezes, não possuem uma vivência saudável da sexualidade. Ainda há outros aspectos que mereciam ser descritos como pressupostos para entender as causas da disfunção erétil, porém o texto se tornaria extenso, distante da proposta deste trabalho.
Os cuidados na fase das operações formais (12 anos em diante) merecem atenção tanto quanto os cuidados da infância. Neste período, a comunicação é diferente quando os adolescentes perdem a identificação com os cuidadores, tornando um desafio o esclarecimento de assuntos sexuais. Assim, a probabilidade de o adolescente iniciar a vida sexual de forma irregular é maior.
Logo, os traumas gerados através das primeiras relações sexuais podem ser a causa da disfunção erétil. Com isso, observa-se com frequência que meninos quando pressionados por amigos ou mesmo pelo próprio pai para manter relação sexual, configuram uma expressão sexual distante da liberdade e do processo natural em que o individuo necessita para manter uma relação sexual saudável e satisfatória.
A disfunção erétil ao longo da vida
A disfunção erétil na vida adulta pode ocorrer por diversos fatores, dentre eles a deterioração do relacionamento do casal. Mapear o problema é uma tarefa árdua e que requer diálogo e vontade de se desenvolver enquanto pessoa. As preliminares, a satisfação do casal, o tempo e a frequência, as posições e carícias são fatores que necessitam ser ditos. É através do diálogo que o casal chegará a um equilíbrio no prazer.
O problema pode ser resolvido com exercícios, entretanto sugere-se a procura de um psicólogo. Em alguns casos o médico urologista para observar a origem do problema. Em geral, a pessoa que enfrenta o problema sente-se com baixa autoestima, culpa, atração sexual diminuída, medo da intimidade com a parceira(o), ausência de estímulo sexual, entre outros.
O tratamento com um psicólogo é indicado e parte de um mapeamento que o profissional irá realizar juntamente com seu cliente da situação problema. Nestes casos, o cliente deverá relatar sua vida de forma ampla ao profissional, que, com as técnicas adequadas, poderá ajudar o indivíduo no processo. Tratar a disfunção erétil é um grande desafio para as pessoas, dado que a sexualidade é um aspecto fundamental nas relações humanas.

Deixe um comentário