A vida compreendida e vida vivida

A vida compreendida e vida vivida

     Desde os primórdios da humanidade, o ser humano se vê compelido a enfrentar inúmeras insatisfações impostas por sua condição de ser vivo. Como a falta de protagonismo no universo, o acometimento da saúde, o envelhecimento e a sua finitude na vida.

 

Somado às perdas, aos maus entendidos e às frustrações que permeiam as relações, os papéis sociais, os bens materiais e as circunstâncias do acaso que, em parte da vida há de gerar discórdias entre seus desejos e as demandas da cultura, promovem mudanças ao longo da vida. Com isso, a estabilidade e a concretude da felicidade tão almejada não são encontradas facilmente.

 

Neste embate entre a aceitação do destino e o mal-estar que a civilização lhe causa, retomo a questão posta pelo precursor da psicanálise em sua época, afinal por que é tão difícil para o homem ser feliz? 

A busca pela felicidade na vida

A resposta pode ser encontrada na maneira com que cada um se posiciona frente aos desejos, ideais, expectativas, medos e culpas.

 

Que por vezes, para dar conta de viver, torna-se refém da necessidade em disfarçar a vida e modo de ser. Assim, sustenta-se em feixes de identificações, ideais, conceitos, imagens ou palavras que representam aquilo que achamos que somos e queremos, mas que não correspondem ao modo singular de ser no mundo.

 

Diante deste universo fragmentado, depara-se com uma infinidade de caminhos a percorrer e a se perder. A causa e o desejo singular desnorteiam-se no contato consigo, com o outro e com o mundo.

 

Mas é justamente porque se sofre, que se é instado a criar formas de descrever o eu, o mundo e a vida, de modo a transformar a existência.

Em busca de um caminho que torne o indivíduo independente das amarras do mundo interno e externo, tanto subjetivamente como culturalmente, vislumbra-se a possibilidade de explorar a própria liberdade no encontro com a verdade inerente a si.

Possível à partir do ponto em que se ousa abandonar a situação de segurança, lançando-se ao encontro do perigo e do desconhecido, vivenciando as experiências de realidade que as rupturas, dúvidas, angústias e sofrimentos são capazes de evocar.

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As fantasias que construímos na vida

Os caminhos de acesso se dão através da queda da fantasia na qual se envolveu até então. Pelas vias de uma transformação da experiência viva, real, orgânica, sentida e construída. Então, aprimora-se na prática de (des)construção, fator singular de formação de si.

A questão é que para dotar a vida de sentido último, é imprescindível a recorrência a alguma transcendência. Nesse sentido, romper com algumas identificações e como forma criativa de transformar a vida e livrá-la de condicionamentos.

 

Assim, uma das possíveis medidas de subtração de sofrimento, que culminam ao caminho da própria verdade prioriza o mergulho em si mesmo. Dessa maneira, oferece meios para a construção de uma visão de mundo com implicações significativas para si. Essas, que podem atuar como fonte de (re)ssignificação da experiência humana.

A busca pelo autoconhecimento

Pelas vias dessa transcendência, o autoconhecimento e uso da experiência individual se apresentam como capazes de despertar o conhecimento da própria verdade.

Nesse sentido, Freud (1929) incita que o homem deva por si mesmo, através de sua experiência e conotação de sentido, encontrar satisfação em seu próprio processo psíquico, independente do mundo externo.

Pois segundo ele, “não existe regra de ouro que se aplique a todos. O homem tem que descobrir por si mesmo de que modo específico pode ser salvo”.

 

Na maneira que se torna responsável por responder a si mesmo a respeito de suas dúvidas, decisões, mudanças, de seu fim e (re)começo, além do próprio sentido da vida.


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