Casamento

Casamento – “Ele(a) não é mais a pessoa que conheci”

Todo começo de casamento é mágico: amor para lá, amoreco para cá, defeitos preponderantes nenhum, qualidades variadas, clima de romance, admiração, o outro sempre em primeiro lugar! Amor é respeito, admiração, aceitar o outro, superar adversidades, altos e baixos, confiar, aprender, abrir um espaço de si para receber o outro, contribuir, participar. E também é uma construção diária: por olhares, afetos, diálogos, carinho, apoio, valorização e reconhecimento.

A descontinuidade da construção do casamento

Como psicólogo e mediador de conflitos, em terapia de casal é comum ver o resultado da perda, a descontinuidade dessa construção. Vemos um acusando o outro de algo, não confiando no outro quando está com alguém, seja por trabalho ou amizade.

Situação que podemos ver no caso da mulher sotá/adultera em Bamidbar/Números 4:21 na Torah/Bíblia, onde a mulher continua se encontrando com um homem que o marido tem ciúmes e o marido desconfiado que foi traído leva sua esposa para ser julgada por um sacerdote.

Pois é, convenhamos que esta é uma situação que ambos estão feridos, com seus motivos, considerações e versões dos fatos. O diferencial é quem está disposto a tratar, discutir a relação com um mediador isento, e não necessariamente para reatar a relação, mas para os envolvidos na relação.

Eles nada fizeram para viver em um ambiente de constante conflito, com “farpas” para ambos os lados, e nem viveram a temida “morte inventada” do outro (pai, mãe) para os filhos, conhecida por síndrome da Alienação Parental ou Lei 12.318/10.

Alienação parental prejudicando a identidade dos filhos

Parafraseando o que podemos ver na Torah/Bíblia, a alienação parental tem o poder similar ao mais alto nível de lashon hará (falar mal do próximo). Como assim? Consta na Torah/Bíblia que todos somos formados 30% por nosso pai, 30% por nossa mãe, 30% por D’us e 10% por nós mesmos!

Na psicoterapia infantil e adolescente observo essa mesma equação: justamente nossa visão de mundo, valores, tradição, história familiar, religião, relação com o próximo e com o trabalho, foram construídas observando e imitando a forma que nosso pai e nossa mãe se relacionam com o mundo (pessoas, trabalho, amigos, família, escola, rabino, outro).

Assim, quando os filhos vivem em um ambiente onde um cônjuge ou ex-cônjuge fala mal do outro para o filho, está falando mal da própria criança e adolescente. Assim, ela “se ver forçada a ter que escolher um dos dois”, “dividida”.

E ao não poder construir confiança e referência plena em nenhum dos pais em seu desenvolvimento bio-psico-espiritual, não consegue construir a si mesma, sua identidade. Pois ao “sentir-se pressionado para negar” o pai ou mãe “não escolhido no conflito”, nega a si mesmo. Isso porque o si mesmo só é construído no diálogo entre a referência materna e paterna dentro de si.

Psicoterapia de casal ajudando o casamento

Concluindo, em psicoterapia de casal “ame o próximo como a ti mesmo”, não se trata necessariamente de amar o outro que se está em “Guerra Fria”, “em briga dos reinos de Judá e Israel”.

Contudo, é reconhecer que fazem parte de algo maior. Respeitando (?), coexistindo (?), formando acordos (?), construindo canais de diálogo (?). E não necessariamente pelo outro, mas pelo elo eterno que os une: os filhos, o povo de Israel.

Como? Eis uma boa questão para tratarmos em nossa sessão, seja individual e/ou de casal.


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