O que é personalidade

O que é personalidade?

Ao abordarmos o tema de personalidade, precisamos diferenciar o que é dito popularmente e o que, cientificamente falando, é visto como. Nesse sentido, falarei sobre personalidade na visão social e, depois, na visão da Análise do Comportamento.

Personalidade no contexto social

Falamos que uma pessoa tem personalidade forte quando se comporta de forma rude, grosseira e inconveniente de frente a muitas situações do cotidiano, principalmente quando confrontada.

Falamos que uma pessoa que se deixa influenciar pelas decisões de outras, muda seus gostos e postura de acordo com o grupo em que está inserida, não possui personalidade própria.

Ao nos referirmos à personalidade dessa maneira, colocamos a mesma como algo que nasce conosco, que já vem desde o útero ao nosso lado. Dessa mesma forma, colocamos como algo fora do nosso controle e, dificilmente, alterada.

Qual é o problema disso? Simples: sentimos que simplesmente somos essas características e que não temos como mudar, melhorar e se adequar socialmente. Por exemplo, muitas vezes vemos pessoas que dizem ser tímidas desistindo de apresentar seminários, participar de palestras, entrar para o teatro ou dança, criar grupos de amizades por simplesmente acreditarem que são acanhadas e que, por isso, não têm capacidade de interagir e se exibir em nenhuma ocasião.

Isso faz com que elas percam grandes oportunidades em suas vidas, seja de forma profissional ou pessoal.

Personalidade na visão da Análise do Comportamento

Quando é falado de personalidade por analistas do comportamento, mudamos a visão de origem da mesma. Skinner (1998) disse que a personalidade é o nosso repertório comportamental.

Como assim? Personalidade é formada pelos nossos aprendizados ao longo de nossas vidas e, como aprendemos a nos comportar em determinadas situações, se torna mais corriqueiro quando vemos que isso nos traz resultados.

Durante toda a nossa vida aprendemos novos comportamentos que nos auxiliam a conseguir o que queremos, mas principalmente relações interpessoais e segurança.

Ok, eu entendo que tudo ficou muito técnico, então vamos trazer exemplos do dia a dia para ficar mais claro e objetivo.

Entendendo a Análise do Comportamento na prática

Imagine um bebê que, quando faminto, começa a chorar para obter o alimento. Sempre que ele chora, sua mãe o amamenta, certo? Dessa forma, ele aprende que só precisa chorar para ter comida.

Conforme ele vai crescendo, esse bebê começa a chorar para pedir outras coisas, como água, colo, brinquedos, atenção… E, sempre que chora, ele consegue o que quer. Nesse ritmo, tudo na vida que deseja, usa o choro para obter.

Às vezes, não é o choro literal, com lágrimas, mas choraminga, resmunga, faz bico… Logo, todos estão dizendo que ele é mimado, manhoso, dramático e que SEMPRE foi assim.

Agora, imagina uma menina que adorava dançar e cantar, ria alto e liderava o grupo de amiguinhos em suas brincadeiras na infância. Essa mesma menina, sempre que fazia isso, era advertida pelos pais.

Eles diziam que ela fazia muito barulho, que era errado brincar correndo, que dançar no jantar de família não podia, que não cantava bem, que não podia “forçar” outras crianças a brincarem gritando e pulando também.

Além disso, alguns adultos sempre riam quando a viam dançando ou cantando. Conforme ela foi crescendo, sempre que precisava se apresentar em público, tinha medo de estar gritando, sendo inconveniente, forçando os outros a interagirem e com receio que dessem risada dela.

Aos poucos, parou de querer falar em público, não dançava nas festas e nem queria cantar no Karaokê com os amigos. Logo, todos estão dizendo que ela é tímida, acanhada, introvertida e não entendem como uma menina que era tão solta e brincalhona se tornou tão calada e quieta.

Personalidade se apresentando no convívio

Millon (1969) disse que a experiência leva ao aprendizado de estratégias adaptativas, que passam a caracterizar a forma que nos relacionamentos com os outros. Se observarmos os exemplos, nenhuma das crianças nasceram com aquelas características, mas aprenderam a se comportar daquela forma de acordo com as experiências de vida delas.

Agora, pensando desta maneira, consegue refletir quantos traços de sua personalidade você aprendeu, sejam eles bons ou ruins, para conseguir algo que queria? E quantos deles gostaria de mudar e, até agora, achou que isso não era possível? E, agora, acha que é possível mudá-los?

Referências

Skinner, B. F. (1998). Ciência e comportamento humano. São Paulo: Martins Fontes. [Texto publicado originalmente em 1953].

Millon, T. (1969). Modern Psychopathology. Philadelphia: Saunders.


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