Aquele comentário livre de alguém que se instala dentro da gente por horas e até dias. Aquele feedback mais difícil que recebemos é que se torna uma catástrofe persistente. Aquele julgamento negativo que parece estampado no rosto dos que estão à nossa volta quando cometemos um deslize (por menor que seja). Aquele pensamento incômodo que nos invade quando acreditamos que o feito poderia ser perfeito e não foi. Aquela reação espontânea diante de um assunto que a gente não se perdoa por ter tido se esquecendo de que a vida é um filme e não uma foto. Que ansiedade por aprovação é essa?
Quem nunca viveu alguma dessas situações? Se achou menor do que deveria ser? Se cobrou além da conta? Enfim, tenho certeza que muitas pessoas se reconhecem nestas linhas. Assim, a prova disso é que os transtornos de ansiedade são considerados o mal do nosso século. Ou seja, sua origem vem de uma necessidade de aprovação que nos consome.
A ansiedade por aprovação
Mas por que a ansiedade é tão corriqueira nos dias atuais? Aqui, alguns contextos que eu acredito que favorecem este cenário:
1. Dificuldade de aceitar nossa condição imperfeita. Onde aprendemos que precisamos ser os melhores em tudo? Como demos nosso aceite a esta proposta tão perversa que o mundo nos fez? Mundo esse que começou com os nossos pais, mas que se estendeu aos nossos professores, chefes, companheiros, amigos.
E que repetimos com os nossos filhos, liderados, amigos e companheiros em uma grande esteira de cobranças que só nos adoece, mas não antes de nos levar a resultados e desempenho incríveis, e por isso é tão perversa. Ou seja, o perfeccionismo e a busca por sermos melhores a cada dia nos trazem muitas conquistas positivas antes de nos adoecer, e é por isso que é tão importante estarmos vigilantes para quando cruzamos a fronteira entre a saúde e a doença.
2. Visão binária do mundo ao redor. Quanto mais elevamos nossa régua, mais somos seduzidos a elevar a régua dos que estão à nossa volta, criando uma visão rígida e binária (0 ou 1). Isso reduz profundamente a chance de estabelecermos relações saudáveis com o mundo, diminuindo a confiança com o mundo e nos isolando. É por não nos enxergarmos vulneráveis, que julgamos o mundo sem dó e nos enveredamos em uma busca frenética por experiências melhores, que quase nunca nos acalmam.
3. Afastamento de si mesmo. Que nos encaminha para escolhas superficiais e relativas, e que nos impede de parar e ir mais fundo para confrontar os nossos pensamentos automáticos, nossas crenças e nossos padrões.
Reencontre-se consigo mesmo!
Finalmente, sempre é tempo para nos reencontrarmos, e escolhermos trilhar uma jornada de autoconhecimento. A terapia cognitivo comportamental pode ajudar nesta travessia, te ensinando a desconstruir seus pensamentos disfuncionais e substituí-los por conexões mais seguras e mais realistas, te reaproximando de você mesmo e diminuindo sua ansiedade. Experimente!

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