Relacionamentos saudáveis não acontecem do nada. Exigem esforço e dedicação. Eles precisam ser cuidados e cultivados como cuidamos da nossa saúde física e emocional. Ou, como cuidamos das nossas plantinhas e dos nossos pets. Se não fizermos isso, os laços enfraquecem, perde-se a sintonia entre o casal e até mesmo, começa a acontecer o questionamento se vale a pena ou não continuar no relacionamento.
Isso pode acontecer de maneira não intencional. Muitas vezes, estamos tão absorvidos pelas nossas rotinas e obrigações que nem nos damos por conta da importância de regar e cultivar as relações com quem amamos. Ou, até mesmo, podemos fazer grandes esforços como comprar presentes ou proporcionar experiências que, às vezes, nem cabem no nosso orçamento com o objetivo de demonstrar nosso carinho pelo/a nosso/a parceiro/a e o retorno pode não ser como esperávamos.
Cultivando relacionamentos saudáveis
Nada de errado com esse tipo de demonstração de carinho, entretanto, ele não proporciona nenhuma grande mudança consistente e duradoura no relacionamento e, na maioria das vezes, continua a sensação de vazio e de insatisfação.
Podemos fazer grandes esforços, gastar energia (e dinheiro) e parece que nada nos aproxima de fato, ou a pessoa não parece muito empolgada ou são momentos curtos de alegria se comparados com a maioria do tempo que passamos juntos.
O que muitas vezes não percebemos é que são as pequenas coisas, feitas com frequência e durante um bom tempo que causam grandes impactos (positivos e negativos) no relacionamento.
As pequenas grandes coisas que impactam o relacionamento
Imagine o seguinte: você está respondendo um e-mail e seu/sua parceiro/a vem até você para te contar algo que aconteceu no dia dele/a. Você está muito concentrado/a e diz impulsivamente: “estou ocupado/a, não posso”.
Ele/a provavelmente vai se sentir frustrado/a e vai sair do ambiente. Ele/a estava com a intenção de compartilhar algo com você e, por mais que não tenha sido a melhor hora para isso, a forma como a comunicação aconteceu e a indisponibilidade de escutá-lo/a atinge diretamente o relacionamento.
Dias, semanas, meses e anos se relacionando dessa maneira podem ir desgastando e enfraquecendo o relacionamento. Acaba não acontecendo uma verdadeira conexão, mas sim pequenas colisões diárias e contínuas que acabam afastando um do outro.
Talvez você esteja pensando que é exagero, mas se você pensar que essa pode ser uma forma crônica de se relacionar, é possível imaginar que, ao longo de anos se relacionamento dessa maneira, isso afeta significativamente a autoestima, a autoconfiança e a satisfação das pessoas que formam o casal.
Fazendo concessões
E se, em vez de dizer que está ocupado/a sem nem escutar o que ele/a tem a dizer, você fizesse uma mini pausa de 5 minutos, escutasse o que ele/a tem a dizer, se concentrasse sobre o que ele/a quer comunicar a você?
Afinal, você escolheu ele/a para seu/sua parceiro/a, e o que é importante para ele/a merece a sua atenção. E se depois de escutá-lo/a com cuidado, você dissesse: “Fulano/a, eu sei que isso é importante pra você, mas eu, no momento, não tenho o tempo que eu gostaria para conversarmos; podemos falar melhor sobre isso depois que eu me liberar dessa atividade?”.
Em vez de reagir emocionalmente e de maneira impulsiva, tente responder de uma maneira mais pensada, mais racional. Ou seja, tente responder e não reagir. Praticando esse hábito ao se comunicar você se sentirá melhor, mais no controle de suas emoções e reações, e isso vai refletir na qualidade do seu relacionamento.
Além da forma de se comunicar, outro fator importante de se levar em conta é o conteúdo das conversas. Faça o exercício de se abrir, explicar o que você está sentindo, pergunte o que o outro sente também. Não espere que seu/sua parceiro/a adivinhe o que está passando na sua cabeça.
Eu sei, muitas vezes nem a gente sabe direito o que está sentindo e como vai falar sobre isso. Mas se nem a gente sabe, provavelmente a outra pessoa saiba menos ainda. Então, experimente se auto-observar, escrever no papel aquilo que você está sentindo, organize suas ideias ou simplesmente fale. Assim, no ato de falar, as suas ideias vão se organizando.
A questão do diálogo: fundamental em qualquer relacionamento
O importante é ter espaço no relacionamento para conversas francas e sinceras com o/a seu/sua parceiro/a. E que ele/a também sinta que será acolhido/a por você com as angústias, medos, dúvidas e planos dele/a.
Aqui, a empatia é fundamental. Tente escutá-lo/a com vontade de aprender sobre ele/a e não se cobrando por respostas e soluções imediatas. As soluções e os melhores caminhos vocês irão encontrar juntos. Essas conversas abertas e empáticas ajudarão vocês a sentir se os planos estão alinhados, se vocês estão indo na mesma direção ou se é preciso mudar algo para que isso aconteça.
Caso essas conversas abertas não sejam um hábito de vocês, é comum que nas primeiras vezes elas sejam um pouco estranhas e desajeitadas, mas com o tempo, elas vão se tornando naturais. E se estiverem cumprindo o seu papel de ajudar na relação, elas serão, até mesmo, necessárias em certos momentos e para tomar algumas decisões.
Sentir-se amado/a, respeitado/a e acolhido/a são necessidades humanas essenciais de serem atendidas. Dessa forma, os relacionamentos devem ser um espaço aconchegante para atendê-las.
Palavras-chave: respeito, empatia e parceria
Em suma, pare, pense e responda ao outro buscando cuidar e cultivar o relacionamento. E tenha conversas sinceras, empáticas e respeitosas com o seu/sua parceiro/a.
Com a prática e com o tempo você vai perceber uma melhora nos seus relacionamentos em geral. Assim, você vai criar conexões mais fortes, mais satisfatórias e duradouras.
Caso você tente e sinta que não está conseguindo trabalhar essas questões sozinho/a, saiba que você não está sozinho/a. Você pode fazer isso com a ajuda de um profissional qualificado.
A terapia com um psicólogo pode te ajudar a identificar os pontos que estão te causando sofrimento emocional e trabalhá-los para que você desenvolva autoconhecimento, construa relacionamentos mais saudáveis e desfrute de uma melhor qualidade de vida.

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