A luta contra a LGBTQI+fobia é antiga, e temos muitas datas para relacionar. Em 1952, a primeira publicação do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtorno Mentais (DSM), classificou a homossexualidade como uma desordem. Porém, durante anos não foi possível comprovar pela ciência que era, de fato, um distúrbio. Em 1973, a Associação Americana de Psiquiatria retirou a orientação sexual da lista de transtornos mentais do DSM-II.
Um histórico necessário
No dia 17 de Maio de 1990 a homossexualidade foi retirada da Classificação Internacional de Doenças. Essa data se tornou o Dia Internacional contra a LGBTQI+fobia. A homossexualidade deixou de ser uma patologia mental pela Organização Mundial de Saúde, um desvio à norma heterossexual e não apenas outra orientação.
Então, em 1999, o Conselho Federal de Psicologia (CFP) define normas éticas para atuação dos profissionais da área. Principalmente pensando na apologia que existia a “Cura Gay”, com a reversão de homossexual para heterossexual. Essas tentativas de reorientação foram estudadas pela Associação Americana de Psicologia (APA, na sigla em inglês), e esses pacientes apresentavam depressão, ansiedade, vício em drogas, confusão mental, automutilação, ideação suicida etc.
Semelhantemente, na carta escrita em 1935 por Freud, ele responde uma mãe sobre homossexualidade:
“Certamente não é uma vantagem, mas não há motivos para se envergonhar, não há vícios, não há degradação; isso não pode ser classificado como uma doença; consideramos como uma variação da função sexual, produzida por uma certa contenção do desenvolvimento sexual. Muitos indivíduos altamente respeitáveis da antiguidade e também dos tempos modernos foram homossexuais, diversos homens grandiosos (Platão, Michelangelo, Leonardo da Vinci etc).”
Freud dizia: “O que a terapia pode fazer pelo seu filho vai em outra direção. Se ele é infeliz, neurótico, atormentado por conflitos, prejudicado em sua vida social, a terapia pode trazer harmonia, paz de espírito, eficácia, quer ele permaneça homossexual ou mude”.
Freud defendia que todos nasciam bissexuais e depois tornavam-se héteros ou gays, por causa das interações e relacionamentos com aqueles à sua volta. Finalmente, torna-se claro que ser homossexual não é doença, e além dessa conquista ainda existem outras, como diminuir o preconceito, a violência e a vulnerabilidade dessa população.
A LGBTQI+fobia condena e mata inocentes
Não é patologia, doença e/ou desvio!
Em janeiro de 2020, um dossiê publicado pela Associação Nacional de Travesti e Transexuais (Antra) destaca que o Brasil lidera o ranking de países que mais mata travestis e transexuais em todo o mundo. Infelizmente essa violência só cresce. A maior parte das vítimas sofreram algum tipo de crueldade.
O público LGBTQI+, além de sofrer violência é marginalizado, e sofre com estigma e aceitação social, AIDS, desemprego, prostituição e questões relacionadas à saúde mental, como ausência de autoestima, depressão, ansiedade, ideação suicida e prejuízo emocional.
Existe um sofrimento psíquico muito grande por tentar maquiar o seu verdadeiro eu, anular-se, um adoecimento do sujeito. Considerando-se os conflitos internos e familiares, sobre o tanto que é penoso não se identificar com o seu gênero de nascimento, podemos citar também a disforia de gênero, quando não é possível realizar as modificações físicas necessárias para que se consiga “conforto” e identificação com o próprio corpo.
A psicoterapia contra a LGBTQI+fobia
O papel do psicólogo é ser uma ponte para esse encontro com o próprio eu, apoiando na resolução de conflitos para que o sujeito tenha uma vida mais satisfatória, na adaptação física e psíquica.
A terapia é um espaço acolheDOR, onde são compartilhadas todas as angústias, medos e ansiedades. Dessa forma, é um espaço para autoconhecimento e fortalecimento do sujeito, para que ele possa lidar com os conflitos internos/externos.
Assim, seguimos torcendo para um mundo onde as pessoas não precisem ser “aceitas”, mas sim respeitadas! Assim, que as pessoas tenham liberdade para assumir sua identidade, existir e amar! Amor é amor em diferentes formas.
Referência:
Freud, S. (1951). Historical notes: a letter from Freud. The American Journal of Psychiatry, 107(10), pp. 786-787.

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