Em 1687, o físico e matemático Isaac Newton, escreveu na sua obra “Princípios Matemáticos da Filosofia Natural”, três leis que fundamentam até hoje a mecânica clássica, entre elas está a Lei da Inércia.
Neste artigo, que não é nada matemático, vou abordar apenas a primeira Lei de Newton: Lei da Inércia ou Princípio da Inércia. Ela diz que todo corpo em repouso tende a manter-se em repouso, e o contrário também é verdadeiro, todo corpo em movimento, tende a manter-se em movimento.
Isso tem total relação com a forma como agimos e pensamos. Mas agora, de uma forma bem simples e resumida, vou explicar como podemos aplicar a primeira Lei de Newton na análise dos nossos comportamentos.
A Lei da Inércia e a Análise do Comportamento
Dentro da teoria da Análise do Comportamento, nós costumamos falar que “comportamentos passados predizem comportamentos futuros”. Isso quer dizer que os comportamentos que tivemos no passado iremos, provavelmente, repeti-los no presente e no futuro.
Contudo, muitas vezes precisamos de uma força que nos faça parar para analisar se o que estamos fazendo, de fato, é o mais aconselhável ou se estamos fazendo tudo no piloto automático.
Dentro da terapia o psicólogo ajuda o paciente a analisar o padrão de movimento que ele vem adotando ao longo dos anos. Além de como ele responde aos estímulos da vida.
Dessa forma, ambos observam juntos se esse sujeito é mais enérgico ou mais estático. E, a partir dessa consciência, ele poderá fazer escolhas melhores para o próprio desenvolvimento.
E aqui algumas pessoas vão dizer: “mas isso é necessário?”, outras vão pensar: “mas eu nasci assim, eu sou assim, esse é o meu jeito”. Nesses casos, tenho que admitir que a mudança não é algo obrigatório, é realmente um opção.
Entendendo o processo ativo
Não adianta alguém querer que o outro mude, pois esse movimento precisa vir de cada um, já que a terapia é um processo ativo e não passivo. Na terapia o paciente entende e ressignifica todos os acontecimentos impactantes e padrões de respostas que possui.
Por exemplo, certa vez eu ouvi de um cliente a seguinte história: “Estou no mesmo emprego há 10 anos e não sei se estou satisfeito, porém já estou aqui há muito tempo e não acho que valha a pena mudar”.
Nesse caso, a Lei da Inércia estava prevalecendo e ele, mesmo que desconfortável, mantinha-se numa rotina a qual não o fazia feliz.
E sim, podemos ser felizes no nosso trabalho, podemos nos sentir realizados com a nossa rotina. E percebam que eu utilizo a palavra “podemos”, porque ser feliz não é uma regra, e infelizmente não é incomum encontrarmos pessoas completamente insatisfeitas com as suas rotinas.
Mas também podemos dizer que não é necessário ser infeliz dentro da própria vida. Ou seja, a mudança é sempre uma opção, mas a mudança precisa ser feita de dentro para fora, caso contrário, corre-se o risco de em pouco tempo ela também não fazer mais sentido.
Se você não está feliz no seu emprego, no seu casamento, na sua rotina, você pode aparar arestas e mudar, se necessário. Você pode ressignificar os acontecimentos e transcender o seu padrão de pensamento e sentimento. Mas, para isso, você precisa passar pelo estágio de autoconhecimento.
A Lei da Inércia contrapondo-se ao movimento contínuo
Em contra partida, também temos as pessoas que simplesmente não sabem se estão felizes ou não. Pois tendem a manter-se em movimento contínuo e não param para analisar o que estão sentindo.
Essas pessoas costumam estar sempre exaustas e usam frases como “precisa ser feito”, “se eu não fizer ninguém vai fazer” ou “estou com pressa” com variações de “estou atrasado”.
Já as pessoas muito aceleradas tendem a ligar o piloto automático e sair fazendo, sem analisar todas as opções, sem respirar. E é comum que em algum momento venham a ter episódios de ansiedade, pois guardam todas as coisas para si (e muitas vezes nem sabem disso).
Nesses casos, a terapia também ajuda a pessoa a entender se as escolhas que estão sendo tomadas são as mais indicadas, se a pessoa está se sentindo realizada, se está bem consigo mesma.
Isso porque, muitas vezes, essas pessoas não conseguem identificar os seus próprios sentimentos. Elas entram num gerúndio tão longo e esquecem que, de tempos em tempos, precisamos analisar qual é o caminho que está sendo percorrido e se ele ainda faz sentido.
Finalizando, quando entendemos que a Lei de Newton é implacável também no nosso psicológico, passamos a nos compreender melhor.
Dessa forma, podemos escolher o nosso futuro, tendo consciência do passado. Desta forma, teremos controle da nossa vida, dos nossos comportamentos e saberemos ajustar as velas para aproveitar o vento da felicidade.

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