Passamos por momentos onde só queremos relaxar, deixar de lado as obrigações e simplesmente nos desligar. Para você, isso seria ócio ou procrastinação?
Depois que nos entregamos a esse querer, contudo, o mais comum é bater aquele peso na consciência, especialmente quando vemos conteúdos que atacam a ociosidade, costumeiramente reduzida a procrastinação.
Ócio é diferente de procrastinação
Enquanto procurava material para este artigo sobre ócio e procrastinação encontrei alguns sites e blogs que apontam para a resistência ao ócio, especialmente no trabalho.
Só para termos uma noção, existem softwares feitos para monitorar empregados em cada ação desenvolvida, visando calcular todo o tempo desperdiçado para que o gestor “enxugue” aquele tempo da melhor maneira.
E a promessa é a elevação da produtividade. Essas técnicas de controle se baseiam na crença de que o ócio necessariamente leva à procrastinação e ao tédio, e para desmontar essa redução do valor do ócio, vamos separar esses conceitos para melhor entender como se relacionam:
1. Procrastinação
A procrastinação diz respeito ao adiamento de determinada ação a ser feita, seja com hora marcada para retorno ou não. O que ocorre de mais comum nesses casos são as pessoas não determinarem um tempo para retorno da ação, e sempre deixar para um “mais tarde” indefinido.
Assim, quando a necessidade da ação bate à porta, a pessoa se arrepende do ato e a sensação mais comum relatada é de uma “luta” contra si mesma; contudo, essa vontade de ficar de bobeira em si não é um mal, mas uma necessidade que temos de descansar uma determinada área do cérebro.
Quando focamos em uma tarefa ativamos uma região cerebral específica, e quando passamos muito tempo na tarefa ou quando a tarefa não se mostra produtiva, nosso cérebro pede descanso para aquela região.
Nosso cérebro nunca para, apenas troca de foco; a procrastinação é quando saímos do foco para fazer uma atividade que não estimule novas áreas do cérebro.
As situações mais comuns são o uso de redes sociais ou o ato de assistir algum entretenimento, atividades de estrita recepção de informações. Nesses casos acabamos por usar pouco o cérebro, e geralmente ficamos irritados, exaustos e/ou deprimidos. Aí chegamos ao nosso próximo tópico.
2. Tédio
Se trata do momento onde ocorre o esvaziamento do sentido do ócio e ficamos irritados ou deprimidos (a depender de cada pessoa).
Nesse momento sentimos a necessidade de fazer algo, ao mesmo tempo em que qualquer coisa que tentamos fazer parece desinteressante, e em alguns casos chega até a ser irritante.
Esse ponto corresponde ao cansaço cerebral, pois na procrastinação despendemos bastante energia em algo que não exercitou outras áreas do cérebro. O ideal, nesses casos, é dar um tempo para si mesmo, procurar contemplar as sensações ao redor.
Caso a atividade que levou à exaustão tenha sido visual (navegar nas redes sociais ou assistir algo), se recomenda descansar os olhos por um tempo, mantendo-os protegidos da claridade.
No entanto, para não se chegar a esse extremo, existe um modo de se usar essa necessidade de troca de foco: é o chamado ócio criativo.
3. Ócio criativo
Conceito criado pelo sociólogo Domenico de Masi, o Ócio Criativo se trata do uso do ócio como momento para desenvolvimento da criatividade.
Ele e outros autores, desenvolvendo sobre o tema, apontam que a mente, no momento de ócio, passa a estar mais aberta às sensações externas; a questão está em qual atividade você está se envolvendo nesses momentos.
Para não cair no tédio é importante se envolver com atividades interativas.
Alguns exemplos são: conversar com pessoas sobre algo que te interessa, praticar atividades manuais, aprender um novo instrumento, fazer exercício físico, meditar etc.
Até assistir ou ver redes sociais é válido, porém a questão é como se faz isso; assistir algo para depois fazer uma análise é um modo de desenvolver seu raciocínio.
Lembre-se que você não quer simplesmente parar, mas está apenas cansado de focar em uma única tarefa.
4. Ócio criativo na prática
Pensando em fazer uso proveitoso do ócio, o Centro de Estudos e Pesquisas em Educação e Ação Comunitária (Cenpec) afirma que escolas de tempo integral devem incluir em seus currículos pedagógicos o espaço para o ócio.
A proposta é que a escola dê, em um dos turnos, a liberdade para as crianças escolherem que atividades querem executar, como pesquisa em biblioteca, cultivo de plantas ou jogar capoeira, por exemplo.
Isso é avaliado como fortalecedor da criatividade das crianças, pois a liberdade de escolha no que se quer fazer no ócio diminui a ansiedade e abre a possibilidade para a criança desenvolver tarefas que tenha mais afinidade. Leia mais sobre esse assunto aqui.
Para os adultos, a dica que os pedagogos do Cenpec nos deixam é de aproveitar nosso ócio para fazer atividades que nos dão prazer, para que não sejamos tragados pelo tédio.
Lembre-se que você não está com preguiça, apenas no momento de mudar de foco para descansar uma parte do seu cérebro.
5. Ócio e procrastinação – Questões para psicoterapia
Vale salientar que existem casos, como na depressão e em crises de ansiedade, onde essas dicas sobre ócio e procrastinação não são suficientes.
O recomendado para essas situações é a procura por acompanhamento psicoterapêutico, para se trabalhar questões particulares do sofrimento.
Você tem mais alguma dica de como fazer de um ócio um momento de desenvolvimento da criatividade? E de como não procrastinar? Deixe nos comentários!

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