Terapia em grupo

Terapia em grupo: um relato sobre expectativas

A terapia em grupo gera certo estranhamento para você? Eu entendo.

Ecoar para as quatro paredes as próprias verdades e imperfeições, dentro de um grupo, pode ser sinônimo de insegurança, incertezas, curiosidade e expectativa.

Entretanto, pude atuar como terapeuta grupal em certa ocasião, na faculdade, e posso afirmar que, no início, as dificuldades também se sobressaiam.

Resultado: um integrante do grupo que chega, outro que vai embora, o entrosamento necessário para os que ficam, a demanda individual de cada um se ajustando no todo e, no final, o TODO se formando, com identidade e contornos mais bem definidos.

Terapia em grupo: tempos individuais

Na terapia em grupo os tempos de fala e escuta se organizam em uma dança de ritmos variados. De tal forma que a canção que toca pode ser de consolo, empatia, estranhamento, julgamento, amparo, desdém, compreensão, ressignificação e tantos outros sentidos possíveis.

De fato, quando não somos mais dois em uma sessão, se reinventa o olho no olho da via de mão dupla. Se aprende sobre respeito, sobre co-construir e, dessa forma, vem um sentimento muito forte em cada um: não estou sozinho.

Consequentemente foi passando o meu frio na barriga na prática como terapeuta de grupo, porque fui sendo amparada pelos encontros de supervisão, com muito estudo e vontade; assim, a confiança e o conhecimento foram se fortalecendo lado a lado.

E o papel do paciente na terapia em grupo?

Nessa questão, também posso relatar um estudo de caso pessoal. Quando um grupo se formou, há um ano, com as colegas da pós-graduação e duas terapeutas que foram as nossas primeiras professoras. 10 mulheres em uma terapia de grupo, todas psicólogas.

Ainda assim nos deparamos com movimentos distintos de cada uma: força, direção e intensidades diferentes, como somos todas nós. 

A cada sessão uma nova protagonista, ou mesmo todas juntas, em um trabalho menos específico e mais integrativo, o de aprender fazendo, e tudo isso foi um verdadeiro laboratório para nós profissionais.

Consequentemente passamos por momentos de fala, de escuta, de dar e receber, amparar e ser amparada; não exatamente nessa ordem.

No entanto, preciso confessar: no fim do ano fiz muitos balanços e repensei este lugar coletivo do compartilhar e dividir. Queria um espaço mais meu, onde eu pudesse aprofundar minhas demandas, ter a atenção e o tempo voltados só para mim.

Do mesmo modo ocorrera com uma colega previamente, que preferiu participar do grupo depois de trabalhar suas próprias questões no individual.

Impressões e decisões individuais

No fundo, eu não queria guardar apenas para mim este sentimento, principalmente depois do tanto que havíamos construído enquanto grupo.

Foi então que amadureci a ideia, conversei comigo mesma, balanceei os ganhos e prejuízos, e depois de alguns meses sem terapia, me vi com saudades do grupo, da liberdade e da confiança conquistadas dentro daquela micro sociedade, um privilégio.

Finalmente de volta às sessões, relembrei o quanto me sentia à vontade ali, o quanto realmente pertencia àquele espaço de diálogo e troca. Foi quando acessei os aprendizados da experiência, o meu crescimento no ano que se passou e a riqueza de cada partilha dos nossos encontros.

Ali repensei as equações matemáticas, a oportunidade e o aprendizado, e me abri para o grupo. Então fui amplamente acolhida, escutada e respeitada.

E aqui permaneço, mais leve e confiante, relembrando o somar e multiplicar, no lugar do dividir.


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