Aposto que a maioria das pessoas, em algum momento da vida, já se pegou pensando se pode ou se não pode contar com alguém, seja com um colega de trabalho, com um amigo, um familiar ou até mesmo com o seu companheiro. Algumas vezes a resposta é positiva e animadora, mas, outras vezes, a reposta é negativa e frustrante. Porém, quase sempre, alguém aparece nos oferecendo a força ou a ajuda que estamos precisando… Mas, a questão é, só existe uma pessoa no mundo que nunca deve desistir de nós, nem nos negar ajuda: NÓS MESMOS. Você pode contar consigo mesmo?
O autocuidado é o caminho direto e seguro para uma vida feliz e saudável. Cuidar da nossa saúde física e mental é o melhor investimento que podemos fazer para nós mesmos e também para quem está ao nosso redor. Mas quantas vezes você já deve ter ouvido falar sobre isso por aí? Por que a gente sempre deve ser lembrado e relembrado de que precisamos nos cuidar? Por que não fazemos isso? Por que será que nós cuidamos primeiro do outro para depois cuidar de nós mesmos, sendo que para cuidarmos de qualquer outra coisa ou pessoa, antes, precisamos estar bem? Isso pode soar até engraçado, senão curioso, mas sempre que viajamos de avião até o comissário de bordo precisa nos lembrar de que, em caso de emergência, devemos primeiro colocar a máscara de oxigênio em nós para, só então, colocarmos no outro… Seria quase instintivo salvar primeiro quem está ao nosso redor para depois salvar a gente? Mas por onde anda o nosso instinto de sobrevivência? Pois bem, imagine só, nós cuidamos da nossa casa, dos nossos filhos, do companheiro, algumas vezes dos pais, dos amigos, dos nossos animais de estimação, do carro, dos afazeres no trabalho e de tantas outras coisas, e, quantas vezes, nos esquecemos de nós mesmos? Isso tudo resulta-se em ansiedade, estresse, tristeza, esgotamento emocional e tantos outros sentimentos que nos deixam para baixo… Mas é só com o passar do tempo que nós conseguimos perceber o quanto vivemos sem que pudéssemos contar com nós mesmos e com a nossa própria ajuda, com aquele olhar generoso de quem diz: Para um pouquinho, senta aqui, me fale como você está se sentindo. Isso é o que dá sentido para a vida. Como podemos caminhar por tanto tempo sem olhar para dentro? Sem percebermos nós mesmos? Você se conhece? Do que você gosta? O que te deixa irritado, nervoso, desanimado? O que te deixa feliz? Você tem planejado o seu tempo para conseguir fazer o que te deixa bem? E sobre o que não te faz feliz, você sabe o que é e tem conseguido lidar com isso? Essas são algumas questões que nos ajudam e nos dão um norte sobre qual caminho devemos percorrer. A vida não é só no automático, ou pelo menos não deveria ser, nós precisamos recuperar o controle e saber para onde estamos indo.
Por isso, não se perca, recupere a direção e o sentido da sua vida. Cuide de você assim como você cuida de tantas outras pessoas e coisas, se ame, se conheça, se fortaleça. Lide com o que não é bom em você, saiba o que não é bom para você. Melhore. Se acolha, se perdoe. Ninguém é 100%. Deixe de lado as comparações, elas não nos fazem bem e muitas vezes nos dão uma falsa ilusão de desvantagem. Nós conhecemos muito pouco sobre as outras pessoas, mas devemos ter o compromisso de sabermos cada vez mais sobre nós mesmos. Nossa existência não deve ser vazia, nem triste, mas também devemos saber que a vida não é sobre ser feliz o tempo inteiro. Isso não existe. E, por falar nisso, quantas pessoas hoje têm se sentido angustiadas por não alcançarem esse tal “estado de felicidade”, como se felicidade fosse um lugar, fosse algo que a gente obtivesse ou conquistasse. Não. Ser feliz é singular e dinâmico, precisamos nos conhecer para sabermos o que nos causa essa sensação. E, ao nos conhecer, enxergarmos em nós mesmos não o estado final quase inalcançável de felicidade, mas, sobretudo, o prazer de aproveitar o nosso caminho mesmo com os “buracos”, com os “atalhos” e com toda a nossa incompletude de ser humano. Não se preocupe em ser feliz, se preocupe em se cuidar, ser feliz é uma consequência de saber quem você é e de estar em paz consigo mesmo. Mas isso você só vai conseguir fazer se olhar para dentro, se fizer uma visita ao seu vasto, surpreendente e particular mundo interior. Só se você puder contar consigo mesmo. E aí, você pode? Se sim, que tal começar agendando a sua psicoterapia?

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